Ano 17

Noêmia Duarte

“Tainá – Uma Aventura na Amazônia” não foi apenas um dos maiores sucessos brasileiros do cinema infantil. O filme marcou a estréia de uma garota apaixonante nas telas e nos bastidores uniu para sempre a vida de duas mulheres: Eunice Baía e Noêmia Duarte.

 Eunice Baía foi selecionada entre 3 mil candidatas para viver Tainá, a defensora da fauna e da flora da exuberante Amazônia. Noêmia Duarte foi a diretora de elenco que ajudou a encontrar, em uma epopéia que foi do Oiapoque ao Chuí, aquela que daria vida à cativante guerreira. Responsável pelo “casting” e assistente de direção de “Tainá, Uma Aventura na Amazônia”, de Tânia Lamarca, Noêmia Duarte é também atriz e produtora. Com o filme tornou-se também mãe, já que a pequena Eunice, então com apenas sete anos, a escolheu como tal durante as filmagens.

Agora, sete anos após o primeiro filme, chegou às telas a seqüência do sucesso infantil,  “Tainá 2 – A Aventura Continua”. Eunice Baía e Noêmia Duarte estão viajando pelas principais capitais para o lançamento do filme e estiveram em Belo Horizonte. Em entrevista coletiva e também em entrevistas individuais para o Mulheres, elas falam sobre as filmagens dos dois longas, do encontro entre as duas,  como Noêmia, por escolha da garotinha Eunice, tornou-se sua tutora e como Eunice trocou o Belém do Pará por São Paulo. Podemos também conhecer melhor o universo do “casting” e os desafios dessa categoria.

 

Mulheres do Cinema Brasileiro: Onde você nasceu?

Noêmia Duarte: Nasci no Recife, depois vim para São Paulo, onde já estou há 25 anos. Tenho 42.  

Mulheres: Você começou sua carreira como atriz, não é isso?

Noêmia Duarte: Sim, comecei no teatro amador, em teatro de grupo. Em 81/82 fiquei no Ivamba, depois fui para o CPC do Antunes Filho, onde fiquei um ano, e em seguida fui para o Boi Voador, onde fiquei quatro anos. Nos palcos sempre trabalhei com teatro de pesquisa.  

Mulheres: Como você chegou ao cinema?

Noêmia Duarte: O Pedro Róvai estava fazendo uma peça, “Corte Sapau”, e eu fazia a assistência de produção. Daí quando ele foi fazer o filme “As Tranças de Maria” ele me convidou para fazer a produção executiva.  

Mulheres: Como foi essa passagem, do teatro para o cinema?

Noêmia Duarte: No início eu me sentia um peixe fora d´àgua, eu não sabia nada sobre set. No cinema há uma hierarquia muito grande, é um trabalho de equipe, mas cada um fazendo a sua parte. No final 1 + 1 dá o resultado final. No teatro, é claro, há as funções, mas você acaba fazendo um pouco de tudo. Foi um choque, no cinema é tudo milimétrico, é mesmo a sétima arte. Aprendi na marra, mas depois gostei muito, acho mágico.  

Mulheres: Além de ser a abertura de uma nova frente de trabalho.

Noêmia Duarte: Sim, e uma nova frente é sempre muito bom.  

Mulheres: E a televisão? Você atuou em “A Indomada”.

Noêmia Duarte: Sim, fazia a Betse. Fiz uma participação também em “A Próxima Vítima”. Eu fiz uma mulher que trabalhava no hospital em que a personagem da Gória Menezes freqüentava. Na televisão tudo é muito rápido, é uma obra aberta, você vai trabalhando diariamente e introjetando coisas suas.  

Mulheres: No “Tainá – Uma Aventura na Amazônia”, você abre mais frentes de trabalho, “casting” e Assistência de Direção. Como se deu esse processo?

Noêmia Duarte: Primeiro o Rovai, que é o produtor do filme, me convidou para fazer o casting. Eu fiquei responsável por encontrar a garota protagonista do filme. Foi um trabalho imenso, rodei do Oiapoque ao Chuí, para uma seleção entre 3 mil crianças. No final do processo ficaram 10 e por fim uma, a Eunice.  

Mulheres: E como chegou à assistência de direção?

Noêmia Duarte: A Fátima Toledo fazia a preparação do elenco e eu ficava sempre por perto, cuidando das crianças. Daí a Tânia Lamarca, diretora do filme, viu o meu jeito com as crianças e me convidou para a função.  

Mulheres: Com o Tainá e seu encontro com a Eunice sua vida mudou radicalmente, não é?

Noêmia Duarte: Completamente, virei mãe. Foi uma coisa de Deus, já que foi ela que me escolheu. Tive que pensar muito sobre a minha vida, mas acabei trazendo-a para a minha casa em São Paulo e desde então já se passaram sete anos.  

Mulheres: ‘Casting” e Direção de Elenco são a mesma coisa, não é isso? Explica melhor essa função já que não é em todo filme brasileiro que a encontramos. É uma característica forte do cinema americano.

Noêmia Duarte: Sim, não é em todo filme brasileiro. Fazer “casting” me fascina. Quando você procura alguém para fazer um teste, você participa também da direção. Você estuda o roteiro e ajuda o diretor do filme a procurar aquele que dará vida ao personagem. Você procura uma pessoa com aquelas características e ajuda o diretor e o produtor do filme naquilo que eles estão pedindo.  

Mulheres: Como se dá essa procura?  

Noêmia Duarte: No caso do Tainá 1 foram 3 mil candidatas. Eu tinha que não só encontrar uma garota com as características físicas da personagem, mas também uma garota que tivesse o olhar da guerreira. Eu devo muito disso ao Róvai, foi ele que me ensinou. Fui do Oiapoque ao Chuí, visitei tribos, rodei de barco o Rio Negro inteiro.  

Mulheres: E no Tainá 2?

Noêmia Duarte: Eu não ia participar do filme, já que minha vida estava toda direcionada para o teatro. Acabei entrando no filme para dar uma ajuda, fazer assistência de produção de elenco. Fiquei responsável por selecionar o garoto (Vitor Morosini).  

Mulheres: Como se deu o processo?

 Noêmia Duarte: No filme anterior era bem específico, você tinha que encontrar uma índia, ou descendente. Já para o filme atual, o processo foi procurar em agências, ver fotos, fazer testes.  

Mulheres: Você agora está no “Mademoiselle Channel”, com a Marília Pêra.

 Noêmia Duarte: Sim, como Diretora de Produção. Fiz muito produção executiva no teatro, em trabalhos com José Possi Neto, Jorge Takla, Ana Carolina, entre outros. No “Mademoiselle” sou Diretora de Produção.  

 Mulheres: Pretende deixar o cinema, o “casting”? Tem algum projeto.

Noêmia Duarte: Não, eu adoro. No momento meu projeto é esse lançamento do Tainá 2.  

Mulheres: Por que Tânia Lamarca não está nesse filme?

Noêmia Duarte: Não sei, acho que ela tinha outros projetos. Daí, o Róvai, que é o produtor, chamou o Mauro Lima.  

Mulheres: E como foi essa mudança para você?

Noêmia Duarte: São duas pessoas diferentes, eu participei mesmo foi do primeiro filme, inclusive como atriz, mas todos dois são ótimos. Com o Mauro eu atuei e fiz “casting” no filme “Deus Jr.”  

Mulheres: Você gosta dos filmes que são feitos em geral para as crianças no Cinema Nacional?

Noêmia Duarte: Muito não. Cinema para criança no Brasil deveria ser melhor trabalhado. São poucas as produções preocupadas com a criança do futuro. É difícil ver, por exemplo, um filme como “Shrek”. Não estou falando sobre grande produção, estou dizendo sobre conteúdo. Nesse filme há companheirismo, amor, conto de fadas, não há julgamentos.  

Mulheres: Mas não há nenhum filme infantil brasileiro que você goste? Nem dos mais antigos?

Noêmia Duarte: Sim, tem “Menino Maluquinho”, tem “Castelo Rá-Tim-Bum”. O Didi de antigamente eu adorava.  

Mulheres: E das mulheres do cinema brasileiro, quem você admira?

Noêmia Duarte: Atrizes tem a Fernanda Montenegro, a Marília Pêra. São duas divas.  

Mulheres: E diretoras? Com quem você gostaria de trabalhar no cinema?

Noêmia Duarte: Com a Ana Carolina, com quem trabalhei no teatro, e com a Carla Camurati.  

Mulheres: E filmes que você goste?

Noêmia Duarte: Gosto do “Central do Brasil”  e de “ Tainá, Uma Aventura na Amazônia”.  

Mulheres: Muito obrigado pela entrevista.

Noêmia Duarte: Obrigada.


Entrevista realizada em janeiro de 2005.

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 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.