Ano 17

Raquel Zangrandi

Coordenadora de produção da VideoFilmes e diretora de produção de vários filmes produzidos por lá, Raquel Freire Zangrandi esteve em Belo Horizonte acompanhando o lançamento dos filmes “Peões”, de Eduardo Coutinho, e “Entreatos”, de João Moreira Salles. Raquel acompanhou de perto a realização dos dois documentários desde o início,  prática complexa que vem exercendo com paixão  nesses 11 anos na VideoFilmes, uma das produtoras mais importantes do país, fundada pelos irmãos João e Walter Salles. 

Atenta e ligada, mas doce e generosa, Raquel Freire Zangrandi concedeu entrevista exclusiva ao Mulheres durante a exibição dos filmes. Na conversa, ela refaz sua trajetória desde a faculdade de publicidade na UFRJ até seu trabalho atual, passando pelo primeiro estágio, pelos trabalhos na Conspiração Filmes e pela sua profunda paixão pelo documentário, gênero de filme com o qual mais tem trabalhado. 

Raquel esmiuça os meandros da sua atividade e esclarece as diferenças entre os vários tipos de produção. Ela conta também os bastidores da realização de um documentário, repassando todos os processos desde a idéia até a exibição do filme nas telas. Fala, claro, sobre “Peões” e “Entreatos”, e homenageia Carla Camurati e Jordana Berg. 

 

Mulheres do Cinema Brasileiro: Como você chegou ao cinema e como e quando fez dele seu ofício e sua profissão?

Raquel Zangrandi: Eu sou de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Passei no vestibular da UFRJ e comecei a fazer publicidade. Quando chegou o final da faculdade, que era a época de fazer estágio, eu cheguei a procurar trabalho em algumas agências de publicidade. Trabalhei em uma pequenininha e aí pintou um curso na Fundição Progresso, onde tem um núcleo de vídeo. Então lá eu fiz um curso que para mim foi um divisor de águas, de escolher a profissão. Um curso de seis meses, noturno, em que cada aluno aprendia todas as etapas de produção de vídeo. Todo mundo passava pela experiência do roteiro, da pré-produção, da produção, da direção, do figurino, e da pós produção também. Cada aluno participava dos trabalhos dos outros e também produzia seu próprio trabalho. Quando eu terminei, em vez de ficar procurando trabalho nas agências, eu fui procurar as produtoras de vídeo. E aí fui trabalhar na atual Yes.

Mulheres: Isso foi quando?

Raquel Zangrandi: Isso foi em janeiro de 91. Eu fui bater lá numa sexta-feira, levei meu currículo, que não tinha nada, apenas o trabalho da faculdade. Levei o vídeo que eu tinha feito no curso como meu cartão de visita, porque era a única coisa que eu tinha para mostrar, em que eu tinha feito tudo. Quem me atendeu, Ronaldo Soares, falou que não tinha vaga para estágio, mas que se pintasse uma oportunidade eles entrariam em contato. Quando eu estava no ponto do ônibus, ele veio correndo no ponto atrás de mim gritando “volta aqui”. Eu voltei e ele me disse que a estagiária tinha ido embora naquele dia e me perguntou se eu queria começar na segunda-feira.

Mulheres: Isso é que estar no lugar certo na hora certa.

Raquel Zangrandi: É. Daí ele me disse que eles não poderiam me pagar nada, e eu disse que valia como experiência. Foi na primeira segunda-feira útil do ano. Eu fiquei três anos e meio nessa produtora. Foi um estágio que para mim valeu como uma escolinha. Lá eu trabalhei como estagiária de assistente de direção de arte, depois assistente de produção, e depois assistente de direção.

A produção de um comercial de tv é uma mini-escola de trabalho para cinema. Você tem uma mini-estrutura de trabalho, um resumo do que seria um filme de longa-metragem. Geralmente, a produção de um comercial acontece em uma semana, da aprovação do roteiro até o filme estar na tela da televisão. E você tem a estrutura de elenco, figurino, assistente de direção, produção, técnicos de som, edição, efeitos especiais. Então, está tudo ali naquele micro-universo. A produção de publicidade é ótima escola porque é onde você trabalha com condições ideais, de dinheiro, de equipe e de equipamento. Por exemplo, para o comercial da coca-cola tem dinheiro, então você vai trabalhar com os melhores modelos, com o melhor câmera, com o melhor editor de publicidade, com o melhor equipamento.

Então, depois, quando você vai fazer os curtas de graça para os amigos, o primeiro filme para alguém, sempre tem limitações técnicas, limitações de dinheiro, limitações de equipe. Você quer trabalhar com o fotógrafo melhor, mas você não pode e aí trabalha com um menos bom, e assim em tudo. Nem sempre um longa trabalha com as condições ideais que a publicidade. Você enxerga o que é um nível de excelência, de técnica, de pessoal e de orçamento.
Eu me lembro que no primeiro trabalho que eu fui fazer, eu queria fazer tudo. Eu não sabia o que eu tinha que fazer, então eu achava que era que nem no meu curso, que eu tinha que preocupar com tudo. Eu me preocupava se o estúdio estava limpo, se tinha que varrer, se o ator estava olhando para a câmera, com a continuidade. Eu achava que eu, como estagiária, tinha que me preocupar com tudo. Ninguém me falou que não era assim, então eu fazia. E aí eles acharam engraçado, eu era uma formiguinha correndo para cima e para baixo. Com o tempo eu fui entendendo que tinha gente para fazer cada coisa. E fui também entendo o processo, incorporando isso, trabalhava muito e adorava. Depois de três anos eu saí de lá e virei freelancer. Lá no Rio tinha a Conspiração que estava começando a nascer, aí fiz alguns clipes lá.

Mulheres: Quando foi isso?

Raquel Zangrandi. Foi em julho de 94. Comecei a trabalhar na Conspiração e peguei um trabalho na VideoFilmes como assistente de produção. Eu tinha um amigo que era diretor de produção de lá, Beto Bruno, que me chamou para fazer um trabalho. Eles não tinham um coordenador de produção fixo, e aí me chamaram.

Mulheres: Nesse período, tanto na Conspiração quanto na VideoFilmes, ainda eram comerciais?

Raquel Zangrandi: Aí já tinha um pouco de tudo. Tinha curta, publicidade e também clipe. Nessa época a Conspiração ainda fazia muito clipe.

Mulheres: Você se lembra qual foi o primeiro curta?

Raquel Zangrandi: O primeiro curta que eu trabalhei... foi de um amigo da faculdade. É um grupo de amigos que se reúne, você tem que conseguir tudo de graça, é sempre mais difícil. E fiz alguns clipes, fiz um bacaníssimo da Marisa Monte com o Carlinhos Brown, na Conspiração.

Mulheres: E aí você fez essa ponte entre a Conspiração e a VideoFilmes?

Raquel Zangrandi: Durante uma época eu fiquei trabalhando simultaneamente nas duas fazendo “free-lancer”, e depois a Videofilmes me contratou. Estou lá desde 94 até hoje.

Mulheres: Como coordenadora ou diretora de produção? Eu gostaria que você explicasse qual a diferença.

Raquel Zangrandi: Tem uma diferença. Quando eu estou lá, no dia-a-dia do escritório, eu faço a coordenação de produção da VideoFilmes. Cuido das agendas, dos cronogramas, do orçamento, da saída e entrada de equipamento, da saída e entrada de pessoal. À vezes você fecha um pacote com uma equipe para ela fazer vários trabalhos, então eu preciso saber que o fotógrafo vai trabalhar na primeira semana no projeto A, e na segunda no B, que a mesma câmera tem que chegar porque vai sair outra equipe. E tem também uma demanda dos projetos da VideoFilmes já terminados, filmes de dez anos atrás que estão sendo convidados para um festival em algum lugar do mundo.

Mulheres: E como diretora de produção? O que é dirigir uma produção especificamente? Porque as pessoas fazem um pouco de confusão entre produtora, produção executiva, direção de produção.

Raquel Zangrandi: Quando eu entrei na VideoFilmes tinha um volume muito grande de publicidade, todo mundo da casa muito absorvido com aquilo, e tudo em uma velocidade muito grande, muita gente entrando e muita gente saindo.

Quando eu fazia produção na publicidade, era tudo muito setorizado. O diretor de produção basicamente recebia o roteiro de uma agência, tinha uma reunião com o diretor, e definia-se a equipe, o fotógrafo, o figurinista, o editor. Aí, chamávamos uma equipe grande. Contratávamos produtor de locação, produtor de elenco, figurinista e assistente, diretor de arte com produtor de objeto, cenógrafo, cenotécnico, técnico de som, diretor de fotografia com assistente de câmera, segundo assistente e operador de vt. Então, produtora em um filme de publicidade eu ficava orquestrando tudo isso.

Já no documentário, que é o que eu tenho feito nesses últimos anos, a equipe é muito pequenininha. A equipe não pode ultrapassar o número de pessoas que caibam em uma van. Junto com o motorista são seis pessoas de equipe. Aí, eu faço, junto com o diretor, conforme o que ele pede, todo esse trabalho que faria o produtor de locação, o produtor de elenco, acabo ajudando na equipe de câmera, ajudando um pouquinho o cara do som.

Mulheres: Você viaja junto com a equipe o tempo inteiro?

Raquel Zangrandi: Essa é a parte boa do trabalho em documentário, estar com a equipe o tempo inteiro. É você estar junto desde a concepção da primeira idéia, da viabilidade dessa idéia, montar o projeto, colocar nas leis de incentivo.

Quando ele é aprovado, vamos procurar o patrocinador, e quando não entra o que a gente queria, a gente reorganiza tudo para a realidade do patrocínio que a gente conseguiu.

Aí eu começo a contratação de equipe. Às vezes, a gente contrata pesquisador, outras vezes eu mesma faço, pesquisa de personagem, pesquisa histórica, pesquisa iconográfica, pesquisa de imagem, pesquisa de fotos de época, o que for preciso para o diretor entrar naquele assunto. Às vezes ele vai incorporar esse material ao filme, noutras ele vai utilizar para definir melhor o seu roteiro, o que ele quer filmar.

O diretor de produção de um longa é contratado para pré-produção, para a fase de filmagem e depois ele fica uma ou duas semanas fechando a produção, que a gente chama de desprodução, que é fazer as prestação de contas do dinheiro que foi gasto e passou pela mão dele; a devolução das coisas que foram alugadas ou emprestadas. O diretor de produção fica umas semaninhas a mais, depois que o filme termina. Dependendo, tem também o produtor de finalização, que irá acompanhar todo o processo de finalização de imagem.

Mulheres: Qual foi o seu primeiro longa na VideoFilmes?

Raquel Zangrandi: Foi “O Primeiro Dia”, do Waltinho. Quando eu entrei, eles estavam filmando “O Primeiro Dia”. O filme era para ser um média, mas foi ficando tão bom que eles resolveram amplia-lo, pois se fosse um média ele não ia conseguir espaço na grade de exibição.

Mulheres: Esse filme foi produzido para aquele projeto que reuniu vários diretores com filmes sobre a passagem do milênio.

Raquel Zangrandi; Isso. O filme estava com quarenta minutos, e para ser um longa ele precisaria no mínimo de setenta. Então, eles refizeram o roteiro e o filme ganhou mais meia-hora para entrar nas grades de programação dos cinemas.

Mulheres: Qual foi a sua função nesse filme?

Raquel Zangrandi: Eu fui produtora dessa segunda fase. Foi tudo feito com custo mínimo, a equipe e os atores receberam um valor simbólico. Praticamente tudo que foi filmado entrou no filme, não tinha gordurinha para a ilha de edição, eles foram com uma coisa muito precisa do que tinha que ser filmado.

Mulheres: E qual foi o filme que você pegou desde o início?

Raquel Zangrandi: Foi o “Nelson Freire”, o primeiro longa do João para cinema. Nesse, teve viagens para a França, para a Rússia, para a Bélgica, e muitas viagens pelo Brasil, já que ele acompanha, durante um ano, várias turnês do Nelson; não todas, porque não daria para o nosso orçamento. Apesar de ser um documentário, tinha uma equipe grande. Uma equipe técnica para filmar os concertos e fazia tudo em película, com duas câmeras. Não fui à viagens internacionais, porque estava de licença maternidade. Normalmente, em documentário não se filma tanto, mas nesse, através de um desconto especial com a kodak, nós usamos mais ou menos quinhentas latas de negativo, o que para um documentário é quase impensável, porque sai muito caro. Como o filme acompanha a turnê do Nelson, era preciso ter muito material para ir para a mesa de corte.

Mulheres: Em documentários, normalmente se usa quanto de negativo?

Raquel Zangrandi: Para documentário, eu acho que, com dinheiro, não passa de duzentas latas.

Mulheres: Você sabe, por alto, quantos filmes você já tem no currículo?

Raquel Zangrandi: Eu acho que deve ter uns quinze filmes, mais ou menos.

Mulheres: Nós já falamos do “Primeiro Dia”, do “Nelson Freire”, você está aqui no lançamento do “Peões” e do “Entreatos”. Você poderia falar de mais alguns títulos?

Raquel Zangrandi: Teve uma série que foi lançada no GNT, que foi uma produção de um ano e meio, “Seis Histórias Brasileiras”. Foram seis documentários, sobre seis temas brasileiros. Desde a primeira reunião até o filme ficar pronto durou um ano e meio, de filmagens deve ter dado uns dez meses.

Mulheres: A direção foi de quem?

Raquel Zangrandi: Foram vários diretores. O João dirigiu dois, o Arthur Fontes, da Conspiração, veio como convidado e dirigiu mais dois, e a Izabel Jaguaribe, que fez depois o “Paulinho da Viola” dirigiu mais dois. Todos eles co-dirigidos com jornalistas do Rio e de São Paulo, que nunca tinham feito documentários e que entraram primeiro para roteirizar junto aos diretores, mas acabaram fazendo uma co-direção. Toda sexta-feira tinha reunião de pauta de 17h até a meia-noite, em que todo mundo dava palpite em todos os filmes, sobre os temas e os personagens.

Mulheres: Essa produção foi quando?

Raquel Zangrandi: de 99 para 2000.

Mulheres: Uma pergunta óbvia: você é apaixonada pelo documentário, não é?

Raquel Zangrandi: Eu adoro documentário. No documentário, como a equipe é pequena, trabalha-se mais. O técnico de som está ali durante a gravação de uma entrevista, mas ele está atento também à produção, ele me dá toques. Todo mundo está atento a tudo, porque é uma equipe mais orgânica.

Como a gente fala muito durante as viagens, os próprios motoristas acabam dando palpite. Ele também é parte da equipe, ele também participa. Todo mundo tem a visão geral. O fotógrafo, o assistente de direção, o técnico de som e o produtor, todos envolvidos 100% com o trabalho.
Na ficção é diferente. Terminam as filmagens do dia, o figurinista vai para casa preocupado com as questões do figurino, e também não é para ser diferente. Ele não precisa se preocupar com a luz, com o som. Nesse sentido, com o documentário você se envolve mais com o trabalho. Várias vezes eu mesma entreguei o filme para o projecionista do cinema ou para a emissora. Então a gente consegue acompanhar todo o processo mesmo.

Mulheres: O “Peões” e o “Entreatos” foram filmados na mesma época. Como você atuou nos dois?

Raquel Zangrandi: Foram filmados simultaneamente. Eu participei da pesquisa dos dois. Em “Os Peões” houve uma pesquisa fotográfica, pois os personagens foram encontrados através da fotos da época da greve. A gente queria que fossem pessoas anônimas e que desse para a gente ver os rostos, para levar para os metalúrgicos, que hoje estão aposentados, vinte anos depois, para que eles conseguissem identificar. Esse foi o dispositivo do filme, e a partir daí chegamos aos personagens. Eu fui para os principais jornais do Rio e de São Paulo, fui para as redações, para os arquivos fotográficos e fiquei pesquisando foto por foto. Eu cheguei mais ou menos a 800 fotos, que viraram 500, e depois 250 que nós levamos para mostrar para os metalúrgicos. Isso foi, mais ou menos, dois meses antes de começar as filmagens.

Simultaneamente, eu fiz também a pesquisa para o “Entreatos”. A gente começou a pesquisar sobre a vida do Lula, em jornais de época, em livros, em matérias, em reportagens. A gente fez uma extensa pesquisa nos arquivos de imagem, no CEDOC, na Cinemateca Brasileira, na Cinemateca do MAM, no Arquivo Nacional, na TV Cultura. A gente deu uma rastreada na vida dele. Então o João fez uma coisa muito bacana, ele contratou pessoas para dar palestras para as duas equipes sobre movimento operário e sobre a vida do Lula.

A gente juntou as duas equipes em cinco palestras com jornalistas, com a biógrafa do Lula, Denise Paraná, que tinha acabado de lançar a biografia, pessoas do jornalismo político, pessoas ligadas ao movimento operário. Cinco palestras para todo mundo entender o que estava fazendo.
Durante a pré-produção eu fiquei fazendo a pesquisa para os dois filmes. Durante as filmagens, a Bete Formaggini, produtora que já trabalhou com o Coutinho, foi a diretora de produção de “Peões”, cuja base era em São Bernardo; eles ficaram dois meses morando em um hotel lá. Eu fui com o João para São Paulo, que era a nossa base, onde ficava o Comitê Central do PT. Caso não tivesse acontecendo nada a gente ia para o Comitê, porque lá era a base do Lula, o pessoal dele ficava lá. Então, durante a fase de filmagem, eu fui produtora do filme do João.

Quando passaram as filmagens e a gente começou a preparar o material para ser editado, eu fui a coordenadora de pós-produção dos dois filmes porque os dois foram editados na VideoFilmes. Os dois prontos vão para o processo de acabamento de som e de imagem. Então eu coordenei os dois. E depois o processo de transfer, porque foram captados em vídeo e transferidos para película, em 35mm. Depois acompanhei o lançamento dos dois filmes que estrearam em várias capitais e agora aqui em Belo Horizonte.

Mulheres: Tem alguma mulher, ou mais de uma, na história do cinema brasileiro que você quer homenagear aqui no Mulheres?

Raquel Zangrandi: Puxa, tem tanta gente legal.

Mulheres: Pode falar a primeira que vem à cabeça, a idéia é essa mesma.

Raquel Zangrandi: A primeira pessoa que me vem à cabeça e que tem a ver com a retomada do cinema brasileiro é a Carla Camuratti. Nunca trabalhei com ela, mas ela fez o “Carlota Joaquina” (Princesa do Brasil), ela produziu, ela dirigiu, ela fez tudo. Ela pegou o filme e pôs debaixo do braço, se meteu a distribuir, que é a coisa mais difícil. Mais difícil que produzir é distribuir e lançar, é achar espaço nas salas de cinema para seu filme, brigar pelo filme, e isso ela fez exemplarmente. Então eu acho que ela é um modelo a ser seguido por isso.

Nós temos mulheres maravilhosas, nós temos a Jordana, que é uma editora que trabalha com a gente. Nos últimos dez anos ela tem editado todos os filmes do Coutinho. Jordana Berg, ela é carioca, casada com o Sérgio Bloch, diretor de documentários. Ela é excelente editora, muito discreta, aparece pouquíssimo por aí, muita gente não a conhece. Ela é a pessoa que dialoga com o Coutinho, porque os documentários acontecem na ilha de edição, e o Coutinho é um cara inteligentíssimo, um mestre do documentário. E ele sempre escolhe ela para montar com ele.
É sempre muito importante prestar atenção em quem os diretores de documentário escolhem para montar seus filmes, porque são essas pessoas com quem eles dialogam, são essas pessoas que eles ouvem. O diretor tem uma idéia, mas às vezes é o editor que consegue vencer uma batalha. Então a Jordana é importante por causa disso, ela é co-responsável pelo valor dos filmes do Coutinho, o documentário acontece na ilha de edição e ela é 50% responsável por isso.

Mulheres: Muito obrigado pela entrevista.

Raquel Zangrandi: Obrigada.

 

Entrevista realizada em abril de 2005.


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Sala 
 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.