Ano 17

Adele Fátima

Entrevista comemorativa, Site Mulheres do Cinema Brasileiro 17 Anos.

Nascida no Rio de Janeiro, Adele Fátima é uma estrela do cinema popular nas décadas de 1970 e 1980, e tem carreira de sucesso também como modelo, na música, no teatro e na televisão. E fez história no carnaval “Sim, eu nasci no carnaval, no carnaval eu passei, como estou até hoje, a maior parte do tempo. Aos quatro anos, a minha mãe me levou para sair em um bloco chamado “Bafo da Onça” e daí as coisas vieram rolando, aos 18 anos eu me tornei a Rainha, depois eu fui para as escolas de samba, desfilei em quase todas, tenho o maior carinho e respeito por todas elas. ”.

Adele Fátima faz história também no cinema popular e é uma de suas maiores estrelas, cujo maior sucesso foi Histórias que nossas babás não contavam, dirigido pelo grande cineasta Osvaldo Oliveira. “Foi gratificante, eu já estava com bastante experiência. Esse filme é um clássico brasileiro, foi um dos filmes que mais rendeu bilheteria até hoje, é um filme bem cuidado, é uma sátira de Branca de Neve e os sete anões, mas é um filme bem delicado. Eu adorei fazer esse papel da Clara das Neves (...) ”. 

Além disso, trabalhou com outros cineastas fora desse modelo de produção, como Paulo César Saraceni, como uma dos protagonistas em Natal da Portela. “Foi um filme dramático, teve cenas fortes, eu adorei interpretar a Lota, era um personagem muito rico. E trabalhando com o Milton Gonçalves, com a Zezé Motta, uma grande atriz, também o Almir Guineto, que fazia o marido da Zezé. Foi especial para mim, trabalhando com pessoas de cor, deram papéis elevados para a gente mostrar o nosso potencial (...). Bom, e do Grande Otelo eu não posso deixar de falar, desse homem, um nome até hoje respeitável dentro da arte dramática, uma pessoa que só me ensinou, eu tive a sorte de conhecer ele ainda menina, então aprendi muito com ele, trabalhei com ele ainda no teatro". 

Adele Fátima conversou com o Mulheres do Cinema Brasileiro vai zap e sua entrevista é uma das especiais e comemorativas dos 17 anos do site. Na conversa ela repassa a sua trajetória: a família, a formação, o sucesso nos palcos com Sargentelli, a carreira de modelo, o carnaval, a cantora, os trabalhos na televisão, o cinema, e muito mais. 

 
Mulheres do Cinema Brasileiro: Para começar, seu nome, data de nascimento, cidade em que nasceu e formação. 

Adele Fátima: Meu nome é Adele Fátima, nasci no dia 17 de fevereiro de 1954, no bairro de Laranjeiras. Fui criada na Urca e meu pai, eu faço questão de falar isso, porque acho que é importante falar da família, é alemão, de Hamburgo, de família nobre. Ele era industrial, foi um dos primeiros industriais aqui no Brasil de alumínio, ele se casou com minha mãe. Meu pai é bem claro, já minha mãe é negra, ela é descendente de índio com africano. Então veio eu, que sou mestiça, eu quero deixar isso bem claro, porque falar que é mulata, mulata não é cor, eu sou mestiça porque eu sou filha dessas duas pessoas, eu sou misturada, né, eu sou mestiça, eu quero deixar isso pontuado. Eu acho legal dizer que eu nasci em berço de ouro, eu tive uma vida de princesa, meu pai e minha mãe me deram uma educação fantástica, com a qual eu pude chegar até hoje e isso é muito bom, você saber que teve uma formação de amor, não existia a cor, existia amor. 

MCB: Você fez história nos desfiles das escolas de samba. Sua relação com o samba vem desde a adolescência, não é isso? 

AF: Sim, eu nasci no carnaval, no carnaval eu passei, como estou até hoje, a maior parte do tempo. Aos quatro anos, a minha mãe me levou para sair em um bloco chamado “Bafo da Onça” e daí as coisas vieram rolando, aos 18 anos eu me tornei  a Rainha, depois eu fui para as escolas de samba, desfilei em quase todas, tenho o maior carinho e respeito por todas elas. Sou madrinha e rainha de várias bandas de Copacabana e também sou madrinha da banda do “Cordão do Bola Preta”, quer dizer, a minha vida dentro do carnaval é vasta. Eu sou conhecida como a primeira madrinha de bateria, que foi em 1981, entrei nesse cargo sem querer,  surgiu de repente, as coisas vem acontecendo e, simplesmente, a gente aceita, então eu sou conhecida como a primeira madrinha de bateria, que hoje tem no mundo inteiro, e também musa do Oscar Niemeyer, o arquiteto, internacional, e muitas coisas. Eu fui capa de muitas revistas, capa de discos, fui no Japão, lá tinha de café com leite a aguardente, na Itália eu fui óleo de bronzear,  saí em cinco capas de revistas de países nórdicos. Eu acho que o carnaval é isso aí, eu nasci no carnaval e me encontro aí até hoje, eu sou apaixonada por essa festa maravilhosa do Brasil, que daqui se espalhou para o mundo inteiro, nós somos conhecidos por esse feito. O carnaval é uma festa popular internacional, linda, conhecida no mundo inteiro.  

MCB: O que veio primeiro, o sucesso como Mulata do Sargentelli ou a carreira de modelo?  Gostaria que comentasse sobre esses dois momentos de sua trajetória. 

AF: Bom, eu comecei com o Sargentelli, eu era menor, tinha 16 anos só, e dali foi como uma bola de neve, eu costumo falar assim, as coisas vieram aparecendo, eu fui fazendo coisas, que foram somadas. Daí eu fui fazer cursos, não quis ficar só como bailarina, dançarina ou sambista, o que seja, ou passista, eu fiz vários cursos, fiz cursos de expressão corporal, fiz ballet clássico, jazz moderno, afro, então eu fiz vários cursos para eu ficar cada vez melhor, curso de modelo também, frequentei a Socila e dali fui crescendo, né? Fiz capa de revista, como modelo eu também fiz comerciais, eu era modelo tanto fotográfica como também em propagandas, então eu sou modelo até hoje, foi tudo muito bom, fui de um polo ao outro, fui só conquistando, foram só vitórias e isso foi muito bom.  

MCB: E a atriz? Como surgiu? Qual foi o seu primeiro trabalho atuando? 

AF: O Augusto César Vanucci, diretor da Globo,  me convidou, eu fui até lá, fiz o teste e estreei no “Fantástico”, como esposa do Hugo Carvana, um teatro dentro do programa. Dali foi aparecendo tudo, fiz novela, fiz minisséries, fiz “Sítio do Pica Pau Amarelo”, depois foi o cinema. O ano em que eu comecei com o Vanucci na Globo foi em 1973, depois eu continuei a trabalhar lá em linhas de shows, uma coisa puxou a outra, Chico Anysio e Jô Soares, toda a linha de shows. 

MCB: Você participou de muitos programas nas emissoras. Você poderia destacar os que mais gostou de participar? 

AF: O que eu mais gostava de fazer era ser jurada. Eu não fiz só na Globo, na Globo eu fiz com o Chacrinha, mas eu fiz com Blota Júnior, eu fiz com o Gugu, eu fiz com o Sílvio Santos, bom, são vários, eu não lembro de todos. Eu era jurada do "Rouxinol", também do “Alegria do Povo”, eu fiz muitos programas de jurada e nisso eu me sentia muito bem, porque ali eu podia dar o meu parecer, incentivando as pessoas cada vez mais. Porque eu acho que o ser humano precisa disso, de um aconchego, de um carinho, de palavras doces para ele continuar na carreira, para ele sair dali com a vontade de vencer, sabendo que tem um caminho a trilhar, mas que ele pode chegar aonde ele pretende chegar. Eu adorava ser jurada, era a coisa que eu mais gostei de fazer nesse meio tempo,eu fazia tanta coisa ao mesmo tempo, mas isso era o que eu gostava mais. 

MCB: Você atuou em novelas e minisséries. Gostaria que falasse sobre esses trabalhos. 

AF: A primeira novela que eu fiz foi  “Gabriela”,  na TV Globo, o meu trabalho se resumiu mais na TV Globo, eu trabalhei lá direto por 10 anos, então eu fiquei na linha de shows direto, quem fazia linha de shows não podia fazer novela, então eu estava restrita, estava presa. Mas assim que deu, eu parti para a novela também, porque eu queria isso, eu tinha vontade de participar também, fazer um trabalho onde eu mostrasse mais um pouco do meu perfil, do meu talento e um pouco mais.“Gabriela” foi o meu primeiro convite, depois me convidaram pra fazer “Ti Ti Ti”, fiz  “Memorial de Maria Moura”, fiz “Agosto”, fiz “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Não fiz muita coisa porque acredito que eu viajava muito, então não havia muito tempo, pois isso realmente prende um pouco, porque você tem que ficar ali disponível para eles te chamarem na hora que tiver, mas eu não podia, eu tinha bastante trabalhos, compromissos fora e dentro do Brasil, eu tinha que estar com a liberdade nos horários. Fiz pouco, mas fiz só na Globo, outra televisão não me convidou, se tivessem me convidado eu teria feito com o maior carinho, mas foi só isso. 

MCB: Você também se lançou como cantora e se apresentou em programas de auditório. Gostaria que comentasse sobre a sua trajetória nessa área. 

AF: Pois é, foi outra divisão na minha vida, divisor de águas. A carreira de cantora foi linda, adorei porque pude mostrar um pouco mais de mim, eu cantava MPB, gravei “Morena de Angola” e “Maluco Beleza”, fiz um CD, viajei um ano com a minha banda, tinha uma banda formada por oito músicos, dali eu fiz o Brasil inteiro, era contratada pela Vasp. Depois  eu cheguei a ir aos Estados Unidos, cantei no Consulado Americano, foi lindo a minha participação. Nesse meio tempo o Cauby (Peixoto) me convidou para fazer show com ele no Rio de Janeiro, ele tinha acabado de fazer 25 anos de carreira, com a  Angela Maria, em São Paulo, e me convidou para fazer no Rio, eu fiz três meses no Rio com ele. Depois dessa temporada nós fomos convidados para a TV do Chile, TV Nacional, então eu fui e me apresentei no Chile. O destino não quis que eu prosseguisse, nossa, foi tudo muito bom, eu estourei como cantora lá, fui convidada pra fazer Viña del Mar uma semana, Festival Internacional da Canção representando o Brasil. Mas, três pontinhos… Eu fiquei grávida, tive que ficar de repouso, a médica falou que era para eu ficar de repouso e aí dei um tempo na minha carreira. Depois comecei a fazer, mas não dei tanta importância mais, eu comecei a me dar mais para a minha família, porque eu fiquei apaixonada, eu tive dois filhos, o Diogo e a Bárbara, que são os meus tesouros, é tudo que Deus me deu de melhor nessa vida, então eu me dediquei bastante à minha família. 
 
MCB: O cinema popular, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, é um momento histórico importante do cinema brasileiro e você foi uma de suas estrelas. Como foi participar desse momento especial? 

AF: Esse momento para mim foi mágico, eu sou apaixonada pelo cinema, que pena que eles não me deram abertura para eu continuar, porque depois de tantos filmes, eu cheguei a fazer 18 filmes, eu não sei o que houve. Quer dizer, sei mais ou menos o que houve, primeiro é que sabe como é, as atrizes, elas têm que ficar de uma forma, serem boazinhas com os diretores, ou com os patrocinadores, ou pessoas assim, e eu não quis ser boazinha. Depois é difícil aqui no Brasil, entra o racismo, não tem muito papel que engloba pessoas de cor, é difícil, e quando aparecia já viu, era a maior correria para fazer, e ficar competindo nunca foi meu forte, nunca gostei disso. Eu sabia que eu tinha talento, que eu podia fazer, que eu iria fazer bem, então eu chegava para o papel, mas se chegasse uma pessoa que ocupasse o meu lugar de uma forma que eu nunca faria para conseguir, eu não faria mesmo, então eu deixei de fazer muita coisa no cinema, acabei fechando portas. 

E outras coisas também que aconteceram na época, quando eu me casei, em 1979, era uma época que não podia se casar e eu me casei, saí nas capas de revistas, isso aí foi um choque para muita gente, porque eles não queriam, eles gostavam que você fosse solteira para ficar a mercê deles e eu não queria isso para mim, eu queria, simplesmente, manter o meu trabalho, mas de uma forma nobre, não do jeito que eles queriam. Então a gente batia de frente por conta disso, eu chegava para saber se tinha algum trabalho para mim na televisão e eles falavam “Como que vai ser o casamento?” Uma coisa não tinha a ver com a outra, né, mas era assim. Hoje em dia até melhorou muito para quem casa, as pessoas podem até aparecer de barriga, isso é muito legal, mas na minha época não, isso era um preconceito muito grande, não se podia casar de forma alguma, se casar tinha que manter a pessoa escondida, entendeu, você tinha que estar à vontade para eles. Eu nunca gostei disso, sempre fui contra e continuo contra, então eu acho que isso também me atrapalhou bastante. Mas é da cabeça deles, eu não entendo a cabeça deles, eu acho que não perdi muita coisa, eu acho que quem perdeu foi eles, eu tenho muita coisa ainda guardada dentro de mim, eles nunca me deram um papel à minha altura, porque eu sempre quis fazer uma coisa bem feita, mas não houve essa oportunidade, eles não me deram. O que eu falei é verdade, é difícil ter um bom papel de protagonista da pele mais escura, eles gostam mais é da pele mais clara, é isso. 

MCB: Com as calças na mão, 1975, do Carlo Mossy foi o seu primeiro filme? Como foi estrear no cinema? 

AF: Bom, foi tranquilo, o Mossy me convidou e eu fui fazer o teste para ver se encaixava bem no papel comigo, ele gostou da minha interpretação e fizemos um filme, dali foram cinco filmes ao todo. É como eu te falei, a gente vai crescendo, vai aprendendo, vai criando espaço, vai criando mais segurança e foi isso que aconteceu, eu cheguei a fazer com ele cinco filmes, e foi muito bom. O Carlos Mossy é um bom diretor, uma boa pessoa, atenciosa, até hoje somos amigos e volta e meia nossos filmes passam em todas as televisões, Canal Brasil, Bandeirantes, TV Educativa e outras mais por aí. Eu acho isso muito bom, eles darem valor ao nosso cinema, porque do Mossy eu fiz diversos filmes, cada um com um tipo de conotação, do Mossy era pornochanchada, então existe até um preconceito muito grande contra pornochanchada e eu fico muito triste com isso, porque quem quer é só  pesquisar, lidar com pessoa ignorante é a pior coisa que existe para mim. Pornochanchada não é filme pornô e eles colocaram assim, entendeu? Isso é uma agressão. 

Uma vez eu fiz um programa, do Serginho Groisman, na Globo, e o diretor desse programa, que era até sobre o Cine Iris. falou que eu fazia filmes pornôs. Achei triste, horrível, mas as coisas passam e eu não quis colocar na justiça nem nada, podia ter processado a Globo, podia ter processado o Serginho, o diretor dele, ter criado um caso grande, mas eu não quis fazer auê não porque eu sou uma pessoa que fica correndo disso, isso aí é pobreza de espírito, entendeu? Uma pessoa que é mal informada chega a dirigir um programa tipo Globo, do nível de Serginho Groisman, e falar isso, falar besteira e passar. Foi muito chato isso, foi horrível, então era essa conotação que eu queria dar, que pornochanchada é um filme sim, ele é um filme que é erótico, mas é um erótico gostoso, ele não mostra partes íntimas da forma explicita como é o filme pornô. 

E, depois, o filme é para o lado da sátira, da comédia, e se está fazendo sucesso até hoje é porque o povo gosta disso, né, o povo brasileiro, porque hipócrita é aquele que diz que não gosta. Quem não gosta de um filme água com açúcar?  E um filme em que você morre de rir? O povo está precisando disso, sorrir um pouco, né, está muito pesada a vida, e esses filmes fazem sucesso até hoje. Todos os filmes do Mossy e outros mais meus passam o tempo todo na televisão, eu acho isso bom porque, de uma certa forma, eles estão mostrando o trabalho para a gente, ainda não veio o reconhecimento, como você colocou, mas um dia vem, né? Também se não vier paciência, eu também não estou esperando, porque, sabe, aqui no Brasil você não deve esperar muita coisa, se acontecer é bom, se não acontecer, tudo bem também, a gente vai em frente. Eu não me pego mais com essa coisa de cultura porque, infelizmente, é uma das coisas que o Brasil não preza, não cuida, não dá importância. 
 
MCB: Você atua em As Grã-finas e o camelô, do Ismar Porto. Como foi atuar nesse filme? 

AF: Eu achei bem divertido, foi um papel em que eu pude mostrar um pouco mais de mim, ele tinha uma margem maior e houve, também, cenas no “Oba Oba”, onde a minha personagem trabalhava, em uma boate. Contracenei com grandes atores, foi muito bom, sempre é bom, né, cinema, para mim, é tudo de bom. 
 
MCB: Você volta a atuar em mais dois filmes do Carlo Mossy, As Massagistas Profissionais e Manicures a Domicílio. Como era ser dirigida por ele? 

AF: É o que eu falei, o Mossy é uma pessoa simples e fácil de lidar, não é desses diretores estressados. Ele também é apaixonado pelo cinema, então quando você faz alguma coisa que você gosta muito você faz bem feito, você procura caprichar e ele sempre muito ali dedicado ao que ele estava fazendo. A gente se dava muito bem, trabalhar com ele era uma diversão, era muito bom trabalhar com o Mossy, aprendi muito. Ele é um grande ator, até hoje ele está atuando, e que pena que ele não é mais bem aproveitado dentro dessa linha de cinema, de TV ou de teatro, mas é assim, o Brasil é assim. É um grande diretor, um grande ator, uma pessoa incrível, ele é uma pessoa que tem olho clínico, ele me lançou no cinema, então ele é responsável por isso e eu sou agradecida, gratidão sempre para ele por ter me dado essa oportunidade, por ter mostrado esse meu lado de atriz também no cinema porque até então era só na TV Globo. Eu pude ampliar, porque na Globo era de um jeito e no cinema é de outro, e, por sinal, eu sou mais apaixonada pelo cinema. 

MCB: As Histórias que nossas babás não contavam foi dirigido pelo grande cineasta Osvaldo de Oliveira, é um dos maiores sucessos do cinema popular e ficou no imaginário de gerações. Você está esplendorosa e ótima como Clara da Neves. Como foi atuar nesse filme e o que ele significou na sua carreira?  

AF: Foi gratificante, eu já estava com bastante experiência. Esse filme é um clássico brasileiro, foi um dos filmes que mais rendeu bilheteria até hoje, é um filme bem cuidado, é uma sátira de Branca de Neve e os sete anões, mas é um filme bem delicado. Eu adorei fazer esse papel da Clara das Neves, ela era perseguida o tempo todo e sempre muito amável, uma pessoa totalmente imatura, muito dócil. Era apaixonada pelo pai dela, ele tratava ela com um carinho muito grande, e eu me vi ali assim porque pareceu um pouco com a  minha vida, embora o meu pai não se casou com outra pessoa, mas todo carinho que meu pai tinha por mim, quer dizer, ali eu misturei um pouco a Adele com a Clara das Neves. Por isso eu acho que fez sucesso, eu dei o meu toque especial, eu botei a minha essência no personagem, então ficou uma coisa muito gostosa de se fazer e o filme está aí até hoje. Foi recorde de bilheteria na época, depois de dez anos passou novamente, foi um filme que foi para a América Latina toda, depois ele passou na Europa em alguns países, é um filme que está sendo visto até hoje,né, SBT, Bandeirante, Canal Brasil, TV Educativa, tudo que é canal. 

Só não passou na Globo, na Globo só passou A Dama do Lotação, só esse que eu fiz que  passou lá. Mas esse meu filme merecia passar na Globo, até hoje as pessoas comentam e esse sim ficou mesmo no imaginário das pessoas, até hoje, onde eu passo, falam “Clara das Neves”. Então foi um filme que eu gostei muito de fazer, tem filmes que você faz,  não se apaixona tanto pelo papel, mas é um trabalho, eu sempre encarei assim, entendeu? Mas esse não, esse bateu no coração e foi um filme que me projetou para o mundo, então é muito bom quando você faz alguma coisa que tem o reconhecimento imediato do público, me popularizou, foi muito bom. 
 
MCB: Você tem parceria importante com o cineasta Paulo Cesar Saraceni, com personagem de destaque em Natal da Portela, e depois volta a atuar com ele em O viajante. É um trabalho lindo o seu como Lota. Como foi interpretar a personagem e como foi ser dirigida por ele, que é um dos nossos maiores cineastas? E como foi contracenar com Grande Otelo Milton Gonçalves e Zezé Motta? 

AF: Achei que foi um presente, porque ela foi uma pessoa que sofreu muito, muito muito muito, ela era muita sofrida, mas era sempre muito forte, então ela passava uma mensagem de que as pessoas têm que estar sempre lutando pelo o que quer. Ela ajudava muito o Natal, ele era um maquinista, ele perdeu o braço e, naquela época, era muito difícil e ele ficou totalmente sem emprego. Eles já tinham três e ela estava esperando o quarto, e ela sempre deu muita força ao Natal, porque embora ele fosse um homem extraordinário, apaixonado por ela, uma pessoa trabalhadora, um brasileiro a mais, né, ela via nele uma luz que nem ele enxergava que tinha, mas ela sim, ela tinha isso dentro dela. Então ela estava sempre ali fazendo orações para ele conseguir um emprego, porque ficou difícil, eles moravam na beira de um riacho e aquele riacho era muito sagrado para ela. Além das orações, cada vez que esperavam um filho ela ia até o riacho contar primeiro para as águas. Mas aí houve uma enchente, o Natal não estava em casa, e ela não pode salvar os filhos e nem se salvar. Ela começou a abortar o filho que estava na barriga e os filhos começaram a entrar em desespero, porque ela já desfalecida não sabia quem era ela e mais nada, ela tentava ajudar os filhos, mas não conseguiu. 

Foi um filme dramático, teve cenas fortes, eu adorei interpretar a Lota, era um personagem muito rico. E trabalhando com o Milton Gonçalves, com a Zezé Motta, uma grande atriz, também o Almir Guineto, que fazia o marido da Zezé. Foi especial para mim, trabalhando com pessoas de cor, deram papéis elevados para a gente mostrar o nosso potencial, foi muito lindo, o filme é um clássico, foi até pra Cannes, eu fui concorrer com uma das atrizes coadjuvantes, foi lindo o filme. O Paulo César Saraceni era uma pessoa também apaixonada pelo cinema, e, como diz você, um dos maiores cineastas do Brasil. Eu tinha o maior carinho por ele, ele agora já está com Deus né, mas trabalhar com ele sempre foi muito bom, sempre muito responsável. Ele não tinha força que o cinema tinha que ter, de patrocinadores, ele levava aquilo no punho, e a gente ali com ele dando a maior força,  ele fez bons trabalhos, conseguiu botar muita coisa boa dentro do cinema nacional e é uma pessoa que merece todo o meu reconhecimento, trabalhando em dois filmes com ele foi sempre muito bom, mas a Dona Lota foi gratificante. 

Bom, e do Grande Otelo eu não posso deixar de falar, desse homem, um nome até hoje respeitável dentro da arte dramática, uma pessoa que só me ensinou, eu tive a sorte de conhecer ele ainda menina, então aprendi muito com ele, trabalhei com ele ainda no teatro. Nós tínhamos uma convivência muito familiar, com ele, com a esposa, com os quatro filhos dele, então ele é uma pessoa que me ensinou muito. E o Milton Gonçalves, que quando acabamos de filmar me fez um elogio que até hoje está guardado a sete chaves. Ele me agradeceu, ele falou “Eu não sabia o tamanho de atriz que é você, eu estou muito feliz por ter trabalhado com você”. Eu falei “Imagina eu, até que fim a gente se encontrou”. Eu já tinha trabalhado com outros atores, mas com ele foi a primeira vez e até hoje ele é um querido, ele, a Zezé Motta,  pessoas com quem eu trabalhei.

MCB: E sobre o episódio famoso como Bond Girl do 007 (007 contra o foguete da morte, 1979)? Gostaria que comentasse sobre isso. 

AF: Bom, essa história já é bem conhecida, eu repeti várias vezes. A imprensa brasileira fez questão de mostrar que eu tive um romance com o Roger Moore e que, no final das filmagens, nós iríamos assumir o nosso amor e iríamos juntos embora. Foi muito ruim isso, eu achei que foi uma grande covardia que fizeram comigo na época, a mídia, não sei por qual motivo isso. E da parte da United Arts não gostei do procedimento deles, porque eles não me avisaram, eu fui para a pré-estreia e só soube que eu não estava no filme na hora, no cinema. Eu fiquei sem palavras, não tive nenhum tipo de reação, porque quando acontece alguma coisa muito grave com você, você fica sem pensamentos, sem chão, sem nada. Eu não sabia o que aconteceu, porque ninguém me explicou nada até hoje. Também da parte deles ficou meio esquisito porque olha só, o Roger Moore tem total direito de ter se apaixonado por mim, se isso escapou pra alguém da impressa… Porque encantado ele ficou, mas isso não me surpreendeu, porque onde eu passava ficava a minha marca. Até a Revista Playboy falou que eu tinha uma força, como uma força da natureza, de um redemoinho, de um furacão, de uma força devastadora. Porque eu tinha iniciativa, eu tinha paixão pela minha arte, então eu mergulhava de cabeça, eu acreditava em mim, então isso fazia de mim uma pessoa apaixonante, eu sei disso, eu sei que eu seduzia as pessoas, mas eu não seduzia as pessoas para haver um romance ou algo assim, eu seduzia com a minha arte,. Eu queria seduzir a humanidade, porque eu queria fazer para humanidade uma coisa inesquecível, como Bond Girl eu viajaria o mundo inteiro. Mas se aconteceu eu não sei, porque ele faleceu, e a gente se falou rapidamente uma vez, quando veio aqui, porque ele era vice da Unicef, ele me convidou junto com a esposa e a esposa dele me falou, pediu desculpas, disse que meu país era um país sujo, que fez uma história ridícula a meu respeito, que chegou até ela e ela não gostou nada. A gente conversou muito, eu falo italiano e ela era italiana, ela falou que se eu quisesse ela poderia me levar tanto pra Inglaterra como para os Estados Unidos, que eram os lugares onde ela tinha um bom conhecimento e poderia me colocar em alguma coisa muito boa para poder reparar o que aconteceu aqui no Brasil comigo, com o filme. Ela falou que sentia muito, mas que gostaria de me ajudar, ela estava ao lado dele e eu estava também com o meu marido, quer dizer, foi uma coisa constrangedora o que fizeram comigo na época. Agora, se ele se encantou comigo, a maioria dos homens se encantavam, isso pra mim era natural.  

Na época, o meu maior desejo era ter concretizado essa viagem ao redor do mundo, enaltecendo sempre o filme, porque eu tive uma participação bem legal fazendo a namorada dele, fiz no Pão de Açúcar, fiz na enseada de Botafogo. Eles fizeram duas grandes festas para mim, uma no Meridian e outra no Intercontinental,  com 50 fotógrafos me mostrando para o mundo inteiro, quem seria a Bond Girl e dizendo que eu representaria a beleza da mulher brasileira, olha que coisa linda, né? Então isso tudo foi cortado e agora é isso, a gente vira a página. Fiquei com o nome de Bond Girl porque foi o Albert Broccoli que me convidou, diretor e produtor da série, fiz tudo que eu tinha que fazer, fiz também o cartaz do filme, eles me deram autorização para eu usar Mulata 007, o Albert Broccoli achou que eu merecia isso. A Bond Girl terminou assim, mas fiquei na história. A gente tem que aceitar as coisas que acontecem, eu acho que não era o momento de eu viajar o mundo inteiro, às vezes a gente deseja uma coisa e aquilo não dá certo. Como sou uma pessoa de fé, eu acredito que só Deus é que sabe de todas as coisas, não era para ter acontecido, senão teria acontecido, então eu não tenho nenhum ressentimento. Isso, para mim, foi mais um filme de grande porte, contracenar com ele foi excelente, que é um ator reconhecido no mundo inteiro, as pessoas que eu conheci, o Albert Broccoli. Quando ele fez a festa para mim, ele levou o casting todinho no Meridian, os outros atores, para mim foi muito bom, foi muito gratificante e até hoje, ficou no coração. 
 
MCB: Gostaria que você falasse sobre o filme infantil que fez com o Costinha, O homem de seis milhões de cruzeiros contra as panteras (1978, Luiz Antonio Piá)
 
AF: Aquele filme foi muito muito muito legal. Filme infantil tem alto astral né, então é tudo de bom, ele te dá uma abertura muito grande, trabalhar com criança é tudo. Eu era uma das Panteras,  “As Panteras”, na época, estava na moda, então eu, a  Nídia de Paula e a Sandra de Castro éramos as três panteras, o filme foi maravilhoso. Agora, eu sinto muito, eu fui uma das primeiras, desse pessoal todo aí, Xuxa , Os Trapalhões, não sei mais quem, a fazer filme infantil e isso nunca foi comentado, não sei o porquê. O filme foi muito bem rodado na época, era do Lívio Bruni (produtor e exibidor) e teve uma super bilheteria. Depois o filme acabou sumindo, sabe como  é,  Brasil né? 

Até hoje eu não tenho o filme, eu tenho só o cartaz. Eu me sentia assim, nossa, porque trabalhar com criança, eu acho que no fundo toda atriz sonha com isso. É muito bom porque você fica leve, você fica com liberdade, fica solta, você dá um colorido especial, um arco íris de coisas boas para você. Foi muito bom, o Luiz Antônio Piá foi o meu diretor, o filme foi muito lindo, que pena que não posso dar mais detalhes porque eu só tenho cartaz, o cartaz está lá na minha galeria de filmes.

Eu fiz mais três filmes internacionais que eu não recebi o cartaz. Uma comédia francesa, que eu trabalhei com a Roberta Close, No Rio vale tudo, ela era uma das estrelas do filme e foi muito bom. No filme Morte em palco eu trabalhei com o Felipe Carone, foi um filme dramático italiano,  muito bom também. E o Asa delta, que era outro filme italiano. Eu fiz 18 filmes, quatro internacionais, não dá para falar de tudo porque é muita coisa, e vamos falar a verdade, hoje em dia o povo gosta de tudo mastigado, que é para engolir mais rápido, ele não gosta de ficar lendo.  

Eu sei que fiz muitas coisas dentro da minha profissão, mas as pessoas, eu não vou dizer que as pessoas são esquecidas, que não têm memória como a mídia costuma a falar, não, as pessoas até guardam você sim, mas é que a imprensa não divulga, ela gosta de divulgar quando você morre, isso é uma coisa muito triste, né?  Principalmente aqui no Brasil, lá fora também existe isso, mas eles dão valor às pessoas quando estão vivas, né, o reconhecimento, os prêmios que ganham, os contratos, aqui não existe isso. Eu me tornei popular no Brasil inteiro porque aquele comercial que eu fiz, de sardinha, foi em nível nacional, mas não ganhei para isso, não ganhei até hoje, e foi um comercial que me rotulou e isso é ruim porque rótulo nunca é bom. Você tem que ser uma pessoa livre em todos os sentidos, principalmente livre de rótulos, e isso rotulou, mas me popularizou, né. Tem sempre as duas coisas acontecendo, me popularizou, me levou diante ao público, mas o que não é falado não é lembrado.

Olha quanta coisa eu fiz, se você der um pulinho lá no YouTube você vai ver quanta coisa eu fiz, no meu canal. Se você for lá, tem vídeos, minhas viagens, os programas que eu participei, eu participei de todos, mas, como falamos, eu não tive contrato com televisão alguma. Eu já mencionei, mais ou menos, o que acontecia, infelizmente TV é assim, eu tirei o boazinha e coloquei o flexível, se você não for flexível com eles você não consegue muita coisa, você não consegue ir adiante, você não consegue realizar bons trabalhos, exceto alguns pares, alguns pares que eles permitiam casar, coisa e tal, porque favoreciam a eles.  Você tem que realizar, mas tendo a sua vida particular, você não pode misturar as duas coisas, eu não gosto de misturar, tem a minha vida particular separada da profissional, eu sei muito bem andar nas duas, respeitando as duas.
 
MCB: Para terminar, as duas únicas perguntas fixas do site: a primeira é qual foi o último filme brasileiro a que você assistiu? 

AF: Foi Minha mãe é uma peça, com o Paulo Gustavo, eu adorei. Não preciso falar muitas coisas, né, todo mundo conhece, sabe o mérito dele, foi radiante a passagem dele aqui na Terra, esse filme foi lindo, a mãe dele é tudo de bom. 

MCB: E por fim, qual mulher do cinema brasileiro, de qualquer época e de qualquer área, você deixa registrada na sua entrevista como uma homenagem e por que? 

AF: Bom, não é preconceito e nem descriminação com as demais, mas vou falar da Taís Araújo, que, para mim, é uma querida em todos os sentidos. Sou apaixonada pela mãe dela, a Mercedes, que é minha amiga de muitos anos, ela foi agraciada com a Taís. A Taís é um sucesso, gosto demais de tudo que ela fez, ela parece bem comigo em todos os sentidos. Inclusive, ela fez um filme, que é O roubo da taça (Caíto Ortiz), em que ela  me homenageia, ela se inspirou em mim. Ela me convidou para pré-estreia, eu fui e amei o filme, amei mais ainda a interpretação dela. Ela me falou “Sabe de uma coisa Adele? Não foi fácil interpretar me inspirando em você”. E eu falei “Ficou muito bom, você deu um banho”. Eu quero parabenizar a Taís por ela conseguir chegar ao pódio, porque é difícil nesse país, ela conseguiu e se mantém até hoje, parabéns para ela, por ela ser essa pessoa tão grande por dentro e por fora. 

Nesse filme a Taís não me interpretou, ela se inspirou em mim pra fazer o personagem, entendeu? Agora, ela vai, se Deus quiser, me interpretar sim, mas na hora que for acontecer o filme sobre a minha vida. A gente não falou sobre isso aqui, mas o roteiro já está pronto, a gente está esperando a pandemia acabar. A gente não comenta muito porque é melhor ficar a sete chaves, né, mas vem aí um filme sobre a minha vida e eu acredito que a Taís vai ser a protagonista, gosto muito dela, do trabalho dela e eu acho que ela vai arrebentar como Adele.

MCB: Alguma pergunta que não te fiz e você quer comentar? 

AF: Foi tudo muito lindo, foi emocionante, eu sabia que iria fazer a diferença, tinha certeza disso, porque me empenhei mais ao decorrer do tempo, eu sou uma pessoa que presta atenção, e fui percebendo que não era bem do jeito que eu pensava que fosse. As coisas iriam para um lado mais difícil para mim porque eu tive uma formação familiar, e também com o Sargentelli eu aprendi a ter limites, e também a entender o ditado que diz "onde se ganha o pão, não se deve comer a carne". Então a gente brincava com isso, mas eu levei esse lema a sério para a minha vida, a vida tem dois lados, né, como uma moeda, e ao perceber, ao notar que isso era quase que impossível, não bastava só o respeito, você tinha que ser flexível às pessoas que te rodeavam. Claro que havia pessoas que te respeitavam sim, mas havia pessoas que a gente vai chamar de cobras e lagartos, que, de certa forma, te ameaçavam. E eu não quis fazer par amoroso com algum do meu trabalho, eu sempre quis fora, aquilo não me enchia os olhos e eles ficavam descontentes com a minha posição. Quer dizer, eu sabia que com isso o meu futuro não seria brilhante, nem na televisão e nem em canto algum, vamos falar a verdade, porque em um país extremamente machista, uma mulher bonita, nova, como eles mesmos falavam, sensual, eles achavam que estava escrito prazer na testa e eu não concordava com isso, então era sempre uma situação delicada. Eu não me sentia confortável, mas eu fui procurando me diversificar, crescendo dentro dos meus conhecimentos para ver se melhorava alguma coisa. É uma coisa que mexe com você do princípio ao fim, você acha que as pessoas estão te desafiando, à medida que o tempo vai passando você vai querendo fazer mais e mais e mais, e eu fui buscando caminhos para acontecer. Agora, estudei o suficiente para me defender, mas continuo na faculdade da vida, porque eu prefiro estar aprendendo, ainda não me especializei em nada, mas acredito que um dia vou me formar. 

Com o meu trabalho, com esses feitos, eu me tornei bem popularizada, fiquei bem famosa e aí a gente sente a pressão vindo de todos os lados, é uma faca de dois gumes. Eu sou uma pessoa bem sensível, eu não gostei nada do que eu vi nesse meio, é um meio que massacra as pessoas, machuca e se duvidar até mata, e isso não é bom. Eu sempre busquei caminho melhor para dar sentido à minha vida dentro da minha profissão, mas eu reparei que o melhor caminho era eu ter a minha família, isso sim que sustenta, eu vi quando eu era criança, era ter uma boa base, então você ter essa força vindo de uma família é que te deixa, realmente, mais tranquilo. Infelizmente, o meio artístico é um meio de sonhos, mas de sonhos durante um tempinho mínimo que vira pesadelo se você não souber administrar, e se não souber administrar mesmo você até morre. E é isso, eu não estou arrependida hoje em dia, você não me perguntou sobre o meu hoje em dia, mas  eu sou uma mulher que, posso dizer, estou resolvida, assumida, bem vivida. Tenho 67 anos, vivo viajando, que é uma das coisas que eu mais gosto, de aprender, e aprendo bastante com as minhas viagens e me sinto bem com a minha família. Estou casada há 42 anos, tenho filhos e netos, então eu acho que é isso, na vida a gente tem sempre que procurar e quando se tem sorte de encontrar um lugar você abraçar aquilo com unhas e dentes. Levar adiante e agradecer a Deus, porque esse sim, que é o certo, né, que é bom para você, que reflete bem para seu espírito e sua alma, e que te deixa, realmente, bem com a vida.

Um super beijo no coração, muito obrigado por essa oportunidade de poder falar um pouco da minha vida no cinema, que, para mim, marcou de uma tal forma que eu não vou me esquecer jamais, cinema é tudo de bom. Beijos. 

MCB: Muito obrigado. Beijos.
 

Entrevista realizada via zap nos dias 16 e 17 de junho de 2021.
Foto: Acervo pessoal.

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 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.