Ano 17

Débora Muniz

Nascida no dia 26 de agosto de 1959, no Pernambuco, e radicada em São Paulo desde a adolescência, Débora Muniz é importante atriz do cinema popular das décadas de 1970 e 80. O início de sua trajetória é marcado pelo fascínio pela técnica do cinema. “Bom, eu comecei a minha carreira mesmo na Planeta Filmes, do Wilson Rodrigues, que, aliás, é mineiro também. Fiquei muito pouco tempo com o Wilson porque descobrimos o Mojica, aí fui para a escolinha do Mojica, foi tudo de bom, porque lá eu encontrei a minha família. Eu costumo dizer que o Mojica é meu pai, literalmente falando, a minha adolescência eu passei com ele, com os filhos dele, a família dele. Aprendi a fazer cinema só que por trás das câmeras. Tinha um cara chamado Jorge Atilio, que era um diretor de fotografia maravilhoso, então lá você sabia o que era uma câmera, o que era uma lente, fiz continuidade, fiz assistência de montagem. Então não adianta, é um bichinho que te morde, eu costumo dizer que é uma grande paixão a câmera para mim, foi minha paixão que nenhum homem conseguiu me separar dela, eu não casei, não tive ninguém e nem pretendo casar porque eu me casei com o cinema”.

A mulher que põe a pomba no ar, produzido e codirigido por Rosângela Maldonado com Mojica Marins muda a sua vida, inclusive batizando seu nome artístico depois dele. “E foi incrível, porque quando a Rosangela me viu ela falou para o Mojica “Essa é a minha Débora”. E o  Mojica “Você está ficando louca? Ela fez o teste, mas essa menina não sabe nada de cinema, não tem como, Rosangela”. E ela “Essa menina é a minha Débora, inclusive eu quero esse figurino”. Foi maluco, porque eu acabei sendo a Débora mesmo e foi meu primeiro filme, com direção do Mojica. Foi mesmo incrível, porque quando eu cheguei na Boca do Cinema, e isso eu tinha 16 para 17 anos, quando me viam me perguntavam “Você é a Débora?” “Não, eu sou a Neves”, eu respondia. “Você não é a Débora do filme da Rosangela?”. “Sou”. Resumindo, hoje eu sou Débora, e se você ligar para a minha casa e perguntar “A Maria das Neves (meu nome) está?”. Meu pai vai falar “Não mora ninguém aqui com esse nome, é Débora” (risos)

A partir daí, Débora Muniz atua em vários filmes, inclusive na fase explícita da Boca do Lixo, em que atua no clássico e ótimo Oh, Rebuceteio!, dirigido por Cláudio Cunha. Depois de mais de uma década afastada do cinema, Débora Muniz voltou às telas em dois grandes filmes, o premiado curta Amor só de mãe, de Dennison Ramalho, e no longa Encarnação do demônio, de José Mojica Marins.

Débora Muniz esteve em Contagem, cidade mineira da região metropolitana de Belo Horizonte, para a abertura da exposição “Tony Vieira - Cineasta de Contagem” e conversou com o Mulheres do Cinema Brasileiro. Ela repassa sua trajetória, o fascínio pelo cinema, os filmes, os cineastas,  o seu retorno triunfante ao cinema depois de mais de uma décadas, e muito mais.



Mulheres do Cinema Brasileiro: Você nasceu em Pernambuco não é isso?

Debora Muniz: Eu costumo dizer que eu sou interestadual, porque eu nasci em Pernambuco, com dois meses eu fui para o Paraná, onde vivi minha infância, já minha adolescência foi em São Paulo, onde cheguei  em 1970. Meu pai era o famoso nômade, só que pra onde ia ele levava a família inteira, filha, mulher, cachorro, papagaio, periquito. Eu cheguei em São Paulo assim, naquela época do comecinho da adolescência, mas ainda menina. Era uma época muito gostosa, de transformação, acho que no mundo, não só no Brasil, não só em São Paulo.

Foi no Paraná que eu vi pela primeira vez uma televisão, eu tinha nove anos, nós morávamos em fazenda, daí fui para a cidade com meu pai e vi aquela coisa na praça, foi colocada em praça pública. Então eu vi aquele monte de gente na praça olhando, e é incrível que, até hoje, é uma incógnita para mim, porque eu vi a imagem colorida, e não adianta, isso não muda na minha memória. E foi assim incrível, na imagem um homem ia atravessando a rua e pega na mão de uma colegial, eu então cheguei para o meu pai e falei “Eu quero fazer isso, eu vou fazer isso.” E ele disse “Você está doida menina, nem sabe o que é isso”. Eu não sabia e ele também não sabia.

Passou um tempo e daí chegou a primeira TV, na Copa de 70, que assistimos na casa da minha tia. Era uma coisa assim maravilhosa, e aquilo encheu a minha cabeça de sonhos, foi maluco mesmo. Em 1975, começou aquela história dos anúncios de jornais que tinham em São Paulo, precisando de gente para fazer cinema. Só que antes eu havia ido a um circo, o Circo Teatro do Carlito, que era, inclusive, do Tonico e Tinoco também, e tinha o teatro, que era maravilhoso. Foi lindo porque nós juntamos uma turma e assistimos a  uma peça, “Dr.Frankenstein”, no circo, e chegando em casa eu fiz a peça do meu jeito, ensaiei para fazer a peça. Então eu costumo dizer que comecei como diretora e não como atriz. E como não tinha menino para fazer a peça, a gente se vestiu de homem e fizemos. Menino, isso foi um sucesso ,porque a professora também começou a puxar saco e ajudou a gente a ir nas outras escolas. Meu pai acabou descobrindo e apanhei tanto…

Bom, eu comecei a minha carreira mesmo na Planeta Filmes, do Wilson Rodrigues, que, aliás, é mineiro também. Fiquei muito pouco tempo com o Wilson porque descobrimos o Mojica, aí fui para a escolinha do Mojica, foi tudo de bom, porque lá eu encontrei a minha família. Eu costumo dizer que o Mojica é meu pai, literalmente falando, a minha adolescência eu passei com ele, com os filhos dele, a família dele. Aprendi a fazer cinema só que por trás das câmeras. Tinha um cara chamado Jorge Atilio, que era um diretor de fotografia maravilhoso, então lá você sabia o que era uma câmera, o que era uma lente, fiz continuidade, fiz assistência de montagem. Então não adianta, é um bichinho que te morde, eu costumo dizer que é uma grande paixão a câmera para mim, foi minha paixão que nenhum homem conseguiu me separar dela, eu não casei, não tive ninguém e nem pretendo casar porque eu me casei com o cinema. 

MCB: O seu primeiro trabalho profissional por trás das câmeras foi em qual filme?

DM: O primeiro filme foi Inferno carnal (1977, direção de José Mojica Marins).

MCB: Me fale sobre esses seus trabalhos atrás das câmeras.

DM: Olha, no Inferno Carnal eu ajudei na montagem, logo em seguida ainda peguei alguma coisa do A estranha hospedaria dos prazeres, pois o Mojica queria refazer algumas coisinhas para levar para fora, para festival, ele queria investir em festival na época. Depois, foi quando veio o filme da Rosangela Maldonado ( A mulher que põe a pomba no ar, produtora e codireção),  filme que o Mojica foi contratado como diretor. A Rosangela foi até ao estúdio para pegar figuração, porque os atores estavam todos contratados. Nós estávamos fazendo teste para fazer a personagem Débora, do filme, mas para o Mojica eu ainda não estava preparada para ser atriz, para ir pra frente das câmeras. Eu então falei que era da figuração e sobrou eu e Fátima Porto, na época éramos as mais novas, sobramos lá no fundo do palco. A Fátima teve um filho do Mojica e hoje está nos Estados Unidos. 

E foi incrível, porque quando a Rosangela me viu ela falou para o Mojica “Essa é a minha Débora”. E o  Mojica “Você está ficando louca? Ela fez o teste, mas essa menina não sabe nada de cinema, não tem como, Rosangela”. E ela “Essa menina é a minha Débora, inclusive eu quero esse figurino”. Foi maluco, porque eu acabei sendo a Débora mesmo e foi meu primeiro filme, com direção do Mojica. Foi mesmo incrível, porque quando eu cheguei na Boca do Cinema, e isso eu tinha 16 para 17 anos, quando me viam me perguntavam “Você é a Débora?” “Não, eu sou a Neves”, eu respondia. “Você não é a Débora do filme da Rosangela?”. “Sou”. Resumindo, hoje eu sou Débora, e se você ligar para a minha casa e perguntar “A Maria das Neves (meu nome) está?”. Meu pai vai falar “Não mora ninguém aqui com esse nome, é Débora” (risos)

MCB: Você faz filmes com o Mojica na década de 1970 (Estupro, Mundo: Mercado do Sexo), e depois continua também na década de 1980.

DM: Eu fui regulamentada ainda pela lei de tempo de trabalho de ator, que foi regulamentada em 1979. Tem muitos filmes que participei, seja atrás ou na frente das câmeras, que nem foram creditados, tem muita coisa dessa época, tanto que quando você vai ver na minha filmografia deve ter aproximadamente uns 26 com crédito, quando, na verdade eu tenho 34 longas e 17 curtas. Já na década de 1980, 1984/85, foi quando o cinema pornô começou a chegar no Brasil.

MCB: Dos seus filmes da década de 1980 tem um que eu adoro, que é o  Oh, Rebuceteio! (1984), do Cláudio Cunha. Como foi participar desse filme?

DM: O Cláudio é uma figura hilária, Graças a Deus, ele ainda está fazendo teatro, nessa época do cinema ele foi um grande batalhador, lutou muito. O filme todo foi rodado praticamente dentro do teatro, Teatro Procópio Ferreira, lá na Augusta. Foi assim, eram pessoas malucas e apaixonadas por cinema  juntas. e  que tinha cenas que nem eles sabiam que iriam filmar. Então vinha na cabeça e  fazia. Foi a grande realização do Cláudio Cunha, foi maluco, ele colocou para fora tudo o que ele queria.

Outra pessoa que também não é muito falada é o Marinho (Mário Vaz Filho, corroteirista do filme) Ele é uma pessoa muito querida e que batalhou muito, que fez muito pelo cinema e não é tão falado. Existe muita coisa da história do Cinema da Boca que não foi divulgada de forma devida. E tinha também essa questão dos créditos, na época também eram grandes elencos e se fosse colocar todo mundo em um cartaz não caberia, não tinha letreiros do tamanho que a gente vê hoje. Foi uma outra época, em que se fazia cinema para o público ver, não era um cinema “porque eu gosto de fazer para o crítico ver”. O Cinema da Boca era um cinema feito para o público, a gente costumava  dizer que o nosso grande prêmio era chegar nos dias da premieres e  entrarmos no cinema com casa lotada, a gente ver a fila dobrando a Avenida Rio Branco, Cine Marabá, Cine Saci, isso era maravilhoso. Então isso era o nosso prêmio, nem se pensava em Festival, hoje se faz para festival, nós fazíamos cinema para o brasileiro ver. Como o Tony Vieira, que fazia bang bang, com personagem nacionais, tupiniquins, o que seria um cangaceiro, mas com uma outra roupagem, entende, um cangaceiro com aquela carabina, espingardona, atirando. O Tony renovou, ele queria fazer cinema e ele fez cinema assim, como vários outros.


MCB: Você fez filmes com grandes diretores do cinema popular, poderia comentar sobre alguns deles?

DM: Nossa, é tão complicado falar dessas pessoas, porque tenho medo de acabar deixando algumas de fora. De fato, eu conheci grandes, como o Tony Vieira, Rubens da Silva Prado, Alfredo Sternheim, David Cardoso. O David é maravilhoso, é um irmão querido, é muito amado, fiz trabalhos maravilhosos com ele. O David, acima de tudo, é amigo, sou amiga dele e da família dele. O Alfredinho junta todas essas pessoas de uma forma tão carinhosa, ele fez agora a autobiografia dele, foi lançada semana passada, fico com muito orgulho. Eu fui ver aquela festa maravilhosa, no Imprensa Oficial, e ele estava lá autografando o livro dele. Ele escreveu também sobre os diretores da Boca, um minidicionário de diretores da Boca. Quem quiser saber da história do Cinema da Boca leia esse livro, leia porque ali é verdade,  independente de quem ele gostava ou não, independente de quem era amigo dele ou não, ele colocou uma história verdadeira com carinho e respeito aos diretores da Boca. Além da pessoa maravilhosa, da integridade que ele tem, Alfredinho era diretor de cinema e de atriz. Tinha também o Ody Fraga, que também era uma figura, ele era um intelectual, então eu gostava de ficar horas conversando com ele. O Jean Garrett, com quem tive um episódio hilário com um cavalo desembestado em um filme, enfim, a turma toda.

Com o Mojica eu tinha uma mágoa, porque eu trabalhei muito tempo com o Mojica e foram muitos filmes que eu fiz com ele, só que ele nunca me deu um bom papel, e o melhor papel que eu fiz foi no primeiro filme e que foi a Rosângela que me escolheu e não ele. Então tinha uma coisa, de “O Mojica ainda vai me dirigir em um trabalho grande”. E aí, na verdade, nós fizemos dois, inclusive, mas o outro não chegou a ser lançado, não foi finalizado. Só foi lançado um, Dr. Frank na clínica da taras, um era pornô e o outro não. Era um clássico todo rodado em Brasília, tem inclusive imagens maravilhosas do memorial de JK ,na Catedral, só que tínhamos um sócio e esse sócio confundia muito, porque acontecia isso muito na época, de confundir a atriz com a pessoa, e ele achou que vindo produzir com a gente eu iria ficar com ele. E eu sempre fui assim, dou a louca em frente a uma câmera, mas fora dela eu continuei sendo aquela menininha do interior, com uma criação, com um monte de coisa da família, toda uma história. Eu sei que foi uma confusão, acabou que eu larguei tudo, a empresa que produzia o filme era minha, eu deixei todo mundo falando e fui embora para o Japão, deixei o filme, deixei tudo. Foi uma decepção muito grande, porque era a minha realização como produtora também.  Eu fui embora para o Japão, trabalhava com eventos também nessa época, eu fui para um intercâmbio cultural. Acabou que  eu fiquei 15 anos fora do cinema, me desquitei do cinema, parei com tudo. Até que um dia voltei do Japão, voltei a fazer teatro e não mais cinema.

 Aí  pintou um convite e foi assim uma coisa louca, fiquei assustada com o roteiro, era um curta. O diretor tinha paixão pelo Mojica e estava  procurando uma atriz. Daí disseram para ele “Olha, tem uma atriz que topa fazer, que tem muito a ver com a sua história, que é a Débora Muniz, que trabalhou com o Mojica.” Ele então respondeu “Débora? Mas ela não está no Japão?” Ele achou que havia me casado no Japão. Aí marcamos, com o diretor, o Dennison Ramalho. Eu fiquei indecisa se ía, porque eu havia recebido outros convites e não queria mais cinema, mas quando me encontrei com o Dennison e quando ele mostrou as fotografias, os desenhos, eu fiquei louca, parecia que tinha sido feito para mim. Fizemos o filme, Amor só de mãe (2003), e eu acho que foi um dos maiores trabalhos que eu fiz na minha vida. Esse filme tem hoje 16 prêmios, nacionais e internacionais, foi uma coisa linda.

Depois disso, ele roteirizou o Encarnação do demônio, que era uma história do Mojica que estava adormecida há muito tempo, o Mojica tentava, mas nunca conseguia fazer. Daí o Dennison foi lá e juntou com o Paulo Sacramento, que é uma outra pessoa maravilhosa, um produtor divino, que fez O Prisioneiro da grade de ferro. São dois jovens, eles fazem aquele cinema que nós amávamos da Boca, o cinema por ideal, por paixão, por amor. Então, normalmente, eu falo muito para o pessoal “Vocês vão ouvir falar muito de Dennison e Paulo Sacramento. Tanto que, inclusive, uma revista americana especializada em filmes de terror fez uma entrevista maravilhosa  com a gente e muita coisa aconteceu. Graças a Deus, o Mojica também, com toda sua luta e garra, ele conseguiu fazer finalmente o Encarnação e está sendo lançado agora, recentemente, nos Estados Unidos.
MCB: E com você também no elenco do Encarnação do demônio.

DM: Foi um presente, a personagem Lucrécia, a gente curtiu muito, se divertiu muito. Eu encontrei um blog italiano, no qual eles falam com um carinho tão grande sobre Débora Muniz. Aí, cinema, o mundo é pequeno pra nós, ai cinema, eu estou de volta até usar bengala, e enquanto eu andar, engatinhando, eu vou fazer cinema. 

MCB: E hoje Débora, o cinema para muita gente está muito careta, como que você vê isso? 

DM: Eu, particularmente, nunca tive problema. Até porque, como todo esse problema do preconceito, eles começam a rotular e tudo mais “A atriz mais maluca que já existiu na história do cinema, assim, ao extremo”. Porque no cinema eu já fiz de tudo, literalmente, então a minha paixão era cinema. Tanto que quando chegou no momento do pornô,  para mim foi “Continuo fazendo cinema ou paro?”. Aprendi com meu pai que quando a gente pega um caminho a gente não deve desistir nunca, mas deve pensar muito antes de abrir outros caminhos, antes de procurar um ideal de vida para você, e o meu ideal era o cinema, a minha paixão era o cinema. Então pensei no roteiro, em quem ia dirigir, quem ia fazer fotografia. Fiz alguns pornôs sim, fiz coisas boas e fiz coisas ruins também, mas não me arrependo de ter feito porque me ensinaram muito e aprendi com essas coisas ruins das quais aconteceram na época.

Depois disso, quando eu parei com o cinema e voltei, hoje eu faço trabalhos espíritas no teatro, para mim é uma grande realização, porque hoje você subir ao palco e fazer, exercer minha profissão com dignidade, com amor, e ainda levando uma mensagem de esperança solucionando problemas de várias pessoas. É maravilhoso quando você está em um espetáculo espírita e vê pessoas chegando e chorando “Nossa, agora eu entendi que a minha mãe está aqui junto comigo, que eu não devo chorar por ela, que tudo continua, que a vida é maravilhosa e existe um Deus tão perfeito, que ele não destruiria nada, ele não destruiria a sua própria criação, apenas mudamos de lugar, só isso. 

MCB: Poderia falar desses trabalhos?

DM: Na verdade eu já fiz e continuo fazendo, de vez em quando. Fiz Gaspareto, fiz “Nosso Lar” do Chico Xavier, fiz “A vida Continua”, também do Chico, Fiz Paulo Estevão, que é ecumênico foi maravilhoso, fiz “Mistério do Sobrado”, que é uma história linda. 

Daqui a 15 dias será filmado  “A vida continua”, versão digital, eu quero fazer cinema que leva essa mensagem de amor, de perdão, de paz, de continuação, eu não tenho mais nada a pedir a Deus, eu só tenho que agradecer, os presentes que ele tem me dado a cada dia. Inclusive, estar aqui, nesse momento hoje, falando com você, é um presente para mim, que eu não pedi para Deus, mas ele me deu, então ele é perfeito demais. 

MCB: Estamos aqui nessa exposição em homenagem ao ator, diretor e produtor Tony Vieira. Gostaria que falasse um pouco mais sobre ele.

DM: O Tony é uma história à parte, as coisas não são por acaso. Sobre o Tony eu costumo dizer assim, que é especial do especial. Com o Tony, eu aprendi sobre  o outro lado que ele vivia na época, da ditadura, eu não entendia o que era aquilo que estava acontecendo ainda. Eu vivia aquele momento hippie, eu era criança e morava no interior. As pessoas acham que esse esse período era fácil, mas não era, e o Tony foi aquele grande homem que conseguiu realizar todos aqueles filmes naquele período. Eu participei de muitos debates na TV com ele, divulgando filme, nos divertindo, um amigo querido.

MCB: Para terminar, as duas únicas perguntas fixas do site. A primeira: Qual foi o último filme brasileiro a que você assistiu?

DM: O último filme brasileiro a que eu assisti foi o Encarnação do demônio.
 
MCB: Qual mulher do cinema brasileiro, de qualquer época e de qualquer área, você homenageia na sua entrevista? 

DM: Nossa, eu homenageio duas. Uma é pela coragem que teve, ela começou dirigindo menina, ela teve uma coragem muito grande, que é a Carla Camurati, ela foi de uma força, de uma integridade, a luta dela foi maravilhosa. Nós temos várias grandes atrizes, então eu vou reverenciar a Fernanda Montenegro. Além de ser uma grande atriz, a reverencio também pela grande mulher brasileira que ela é. E ela conseguiu mostrar em Central do Brasil a personagem da mulher sofrida, a mulher que está nos assistindo, que está nos ouvindo, a proeza de ter conseguido viver aquela personagem.

MCB: Muito obrigado pela entrevista.


Entrevista realizada em Contagem, em 10 de novembro de  2009, durante a abertura da exposição “Tony Vieira - Cineasta de Contagem
Foto atualizada.

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Sala 
 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.