Ano 16

Alvarina Souza Silva

Alvarina Souza Silva nasceu em Ceres, Goiás, em 18 de outubro 1955. É cineasta, produtora e roteirista. Ela começou carreira dirigindo seu primeiro curta e integrando as equipes de produção, área em que desempenhou várias funções, como secretária, produtora executiva, supervisão e produtora. O primeiro longa nessa função foi Noite (1985), de Gilberto Loureiro.  A estreia como diretora se dá em 1985, com o curta Alice na cidade maravilhosa. “ Eu acreditava de fato no meu sonho. Mas a grande emoção foi, inacreditavelmente, digo isso porque é uma coisa sem qualquer importância, quando recebi os rolos de copião do meu primeiro filme, o curta metragem Alice na cidade Maravilhosa e lá tinha o meu nome na parte preta de identificação. Foi uma grande emoção”.

Em 1991, estreia como diretora de longas com  O Filme da minha vida, uma história biográfica sobre uma garota que sonhava em fazer cinema. “O filme foi realizado em grande parte em 1990 e ficou pronto em 1991. Se você assiste ao filme, é possível ver que fui buscando oportunidades até chegar no meu primeiro longa metragem, que não foi planejado. Eu tinha outros projetos, mas esse era o que permitiria que eu fizesse um longa nas condições que eu tinha naquele momento”.

Alvarina Souza Silva tem uma carreira grande também na área da produção, com trabalhos de diretores como José Joffily, Sandra Werneck, Sérgio Bianchi, Zelito Viana, Walter Lima Jr, e muitos outros. Ela relembra como construiu essa trajetória: “Buscando as oportunidades. Foi um trabalho duro, de formiguinha, conquistado ao longo de mais de 40 anos”.

Alvarina Souza Silva apresentou seu último trabalho, O Filme da minha vida,  documentário em que revisita seu primeiro longa de ficção homônimo, realizado em 1990 e 1991, na 15a Cineop - Mostra de Cinema de Ouro Preto. A cineasta, e também roteirista e produtora, concedeu entrevista exclusiva ao Mulheres do Cinema Brasileiro por email, em que repassa a trajetória, fala sobre o sonho o cinema, seus filmes, seus elencos, a carreira na produção, e muito mais.



Mulheres do Cinema Brasileiro: Para começar, cidade em que nasceu, data de nascimento completa, se possível,e formação.

Alvarina Souza Silva: Nasci em Ceres, Goiás, em 18 de outubro de 1955. Tenho formação universitária, mas não conclui o curso de literatura/letras. 

MCB: Você relata no seu filme como se apaixonou pelo cinema ainda criança e sua partida para o Rio de Janeiro em busca desse sonho. Mas como de fato você conseguiu iniciar a produção de O Filme da minha vida, realizado em 1991?
 
ASS: O filme foi realizado em grande parte em 1990 e ficou pronto em 1991. Se você assiste ao filme, é possível ver que fui buscando oportunidades até chegar no meu primeiro longa metragem, que não foi planejado. Eu tinha outros projetos, mas esse era o que permitiria que eu fizesse um longa nas condições que eu tinha naquele momento.

MCB: Você se lembra da sensação ao pisar em um set de cinema pela primeira vez? No filme, você conta sobre sua visita à produtora, mas foi aí? E se sim, como foi? E como foi no set de seu filme?

ASS: Eu acreditava de fato no meu sonho. Mas a grande emoção foi, inacreditavelmente, digo isso porque é uma coisa sem qualquer importância, quando recebi os rolos de copião do meu primeiro filme, o curta metragem Alice na cidade Maravilhosa e lá tinha o meu nome na parte preta de identificação. Foi uma grande emoção.

MCB: Seu primeiro emprego no Rio foi na casa do Luiz Carlos Barreto e da Lucy Barreto, retratados nos filme. Eles te ajudaram a ingressar no cinema?

ASS: Sim, em especial o Barretão, mas ela também. 

MCB: O elenco do seu filme tem muitos atores e atrizes conhecidos, como foi esse contato e essa escalação?

ASS: Eu trabalhava  e trabalho em diversas produções e foi a partir desse contato. 

MCB: A Dira Paes, a protagonista, estava ainda na primeira fase da carreira. quando fez seu filme. Como a conheceu e como se deu sua escalação?

ASS: Da mesma forma já dita. Naturalmente, também pelo biotipo .
 
MCB: A Sandra Barsotti é uma atriz importante e essencialmente cinematográfica, ainda que tenha sido também uma estrela da televisão. Ela está em vários de seus filmes. Gostaria que falasse um pouco sobre essa parceria e como ela se deu.

MCB:  Sandra é uma atriz de personalidade forte e marcante e isso imprime da melhor maneira. Além, claro, de ser  uma grande atriz.

MCB: Seu primeiro longa teve uma carreira em festivais importantes, como em Gramado, que fala no filme, e também na 43a. Mostra de Cinema de São Paulo. Como foi esse circuito?

ASS: Sim, foi muito importante ter apresentado o filme nesses grandes eventos. Passou também no festival de Havana, mas eu não consegui ir.

MCB: Fiquei com uma dúvida: o primeiro filme de fato, em que conta sua história, se chamava O Filme de Minha Vida ou Obra do Destino? O documentário, realizado agora em 2019, leva o mesmo nome?

ASS: Sim, eu mantive o título, O filme da minha vida. Cheguei a trocar para Obra do Destino, mas achei melhor manter o título anterior e, inclusive, no documentário (docudrama)

MCB: Como seu longa parou várias vezes, você foi realizando curtas. Gostaria que comentasse sobre eles, que também contam com elenco de peso.

ASS: Minha estória como diretora começou em 1985, com o curta Alice na cidade maravilhosa, seguido por Retratos Rasgados e Aquarela. Depois desse último, parti para o meu primeiro longa metragem, O Filme da Minha Vida. São trabalhos realizados com material reaproveitado de som e imagem e parceria com artistas e técnicos, ou seja, na guerrilha!

MCB: Você construiu uma trajetória grande na área da produção, desenvolvendo várias funções, como secretária, produtora executiva, supervisora e produtora. Como esse campo se abriu para você?

ASS: Buscando as oportunidades. Foi um trabalho duro, de formiguinha, conquistado ao longo de mais de 40 anos. 

MCB: Em vários desses filmes atuando como produtora, estão os de José Joffily. É uma parceria? E como foi trabalhar com esses cineastas?

ASS: Não, exatamente. Parcerias fui formando ao longo da vida com diversos cineastas.  Trabalhei com importantes nomes como o José Joffily, que você cita, mas também com muitos outros igualmente importantes.
 
MCB: Em 2000, você dirige outro longa, Vida e obra de Ramiro Miguez. Como foi a experiência nesse novo filme, que, inclusive, conta com participação da Dira?
 
ASS: Depois de O filme da minha vida, fiz os curtas Alarme Falso, Entrevista e A Mulher que perdeu o controle e fui para o meu segundo longa metragem, Vida e Obra de Ramiro Miguez. Com a facilidade do digital realizei ainda O amor segundo Aurélio, Entre o Paraíso e Brasília, o doc. Rebelião dos Estudantes, Justiça Divina e Cartas de Amor são Ridículas, todos esses longas de mais de 70 minutos. Cada filme é um aprendizado, tem sido assim para mim e não dá para especificar um único trabalho porque tem as singularidades de cada um. Mas tem também as complexidades comum a  todos. Fazer um filme não é simples nunca, pelo menos pra mim!
 
MCB: O curta Cartas de amor são ridículas é seu último filme de ficção?

ASS: Sim, mas não é um curta metragem e sim um longa metragem de 100 minutos.
 
MCB: Gostaria que falasse um pouco sobre a sua função como roteirista.

ASS: Embora seja uma função bem distinta, para mim ela não vem sozinha, se mistura com a direção e a produção. O que difere é que em um roteiro eu escrevo sobre o que me angustia, me norteia, e produzir posso fazer um trabalho que não tem nada a ver com isso, apenas para sobreviver, claro que guardadas as proporções.  E como escrevo para eu dirigir é um exercício delicioso. Fico imaginando as cenas sem pressa, apenas  viajando, na primeira etapa. Na segunda etapa, que é dar forma, já começa a misturar com a produção pela necessidade de vir a existir, e aí, claro, não é tão gostoso porque tem que ser dimensionado as cenas com os problemas.

MCB: Por que é tão difícil ter acesso aos seus filmes? Eu mesmo, como pesquisador de cinema brasileiro, gostaria de vê-los Você não pensa em disponibilizá-los na internet? Ou é devido a custos de telecinagem, por exemplo? Eles estão em alguma outra mídia?

ASS: Não sei, mas boa pergunta, pensarei sobre isso. 

MCB: Para terminarmos, as únicas duas perguntas fixas do site. A primeira é: Qual o último filme brasileiro a que você assistiu?

ASS: Como tive que correr para finalizar o doc O filme da minha vida para a Cineop, foi o último filme que vi, duas semanas atrás, como trabalho. E vi Elena , da Petra Costa, que, provavelmente, é o que responde a sua pergunta.

MCB: A segunda é:  Qual mulher do cinema brasileiro, de qualquer área e de qualquer época, que você deixar registrada aqui na sua entrevista como homenagem e o porquê?

ASS: Suzana Amaral, que acabou de nos deixar, pelo tocante A Hora da Estrela. Mas temos muitas outras atuando em diversas áreas.

- MCB: Muito obrigado pela entrevista.


Entrevista realizada por email em 5 de setembro de 2020, durante a 15a Cineop - Mostra de Cinema de Ouro Preto

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