Ano 18

17ª Cineop - Mostra Histórica 3

Cena de NGUNÉ ELU - O Dia em que a Lua menstruou, de Takumã Kuikuro e Maricá Kuikuro
Dando sequência a Mostra Histórica apresentada na 17ª Cineop - Mostra de Cinema de Ouro Preto ontem, 26,  o  Mulheres do Cinema Brasileiro acompanhou a segunda parte do programa Mitos, Espíritos e a Vida, formado por exibição de curtas.

Foram exibidos os filmes: NGUNÉ ELU - O Dia em que a  Lua  menstruou, de Takumã Kuikuro e Maricá Kuikuro; Lágrimas de Diamante KUNHA POTYRÃ, de Alberto Alvares; A História da Cutia e do Macaco, de Wisio Kawaiwete e Coletivo das Cineastas  Xinguanas; e MÂTÂNÃG - A Encantada, de Shawara Maxacali e Charles Bicalho.

NGUNÉ ELU - O Dia em que a  Lua  menstruou é um filme sobre a tradição dos povos Kuikuro, no Alto Xingu. Em cena, todo um ritual de procedimentos que os Kuikuro praticam ao se depararem com um eclipse, o que, na tradição da aldeia, significa que a lua menstruou e o sangue pinga do céu, atingindo a todos, homens e mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos, assim como também os animais. Esse acontecimento reflete em toda a aldeia, pois, segundo os relatos dos anciãos, em noites de eclipse tudo se transforma: animais trocam de identidade; comidas que foram vistas pela lua tem que ser jogadas fora; objetos e móveis das casas precisam ser acordados. E, mais que tudo, é preciso tocar, cantar e dançar para que tudo volte a ser como era  antes. 

Durante  o filme  acompanhamos a narrativa, fechando o olho aqui e acolá,  como quando um jovem e uma criança são arranhados por um artefato de metal até sangrarem para se purificarem. NGUNÉ ELU - O Dia em que a  Lua  menstruou é um filme impactante, e que retira sua força tanto das falas dos anciãos como das práticas ritualísticas apresentadas.

Lágrimas de Diamante KUNHA POTYRÃ e A História da Cutia e do Macaco são dois filmes de ficção. O primeiro sobre a origem dos diamantes e o segundo sobre um caso narrado para as crianças.

Lágrimas de Diamante KUNHA POTYRÃ conta a história de dois jovens ligados desde a infância, e que culmina com o casamento. No entanto, com as frequentes ausências do marido, a jovem esposa sofre de saudade. E é a partir das suas lágrimas de dor à beira d´àgua, que são formados diamantes que se alojam no fundo do rio entre a água e areia.

Lágrimas de Diamante KUNHA POTYRÃ é frágil enquanto encenação, ainda que cumpra seu objetivo de contar a origem de um mito.

A História da Cutia e do Macaco parte de uma contação de história de uma mãe para seus filhos na aldeia, sendo o animais protagonistas do enredo interpretados por jovens indígenas. Na história, o marido da cutia é um homem trabalhador e zeloso para com a esposa, a cutia; já ela, enquanto o marido parte para a mata em busca do alimento do dia, o trai com o macaco. Grávida, ela tem que se a ver com o filho de outra espécie e com a revolta do marido.

A História da Cutia e do Macaco se sai melhor em seu projeto de encenação ficcional, aqui em filme baseado em história tradicional do povo Kawaiweté.

MÂTÂNÃG - A Encantada conta a história de uma jovem indígena que não aceita a morte do marido, que fora picado por cobra, e segue seu espírito até a aldeia dos mortos. Sem poder permanecer por lá, a jovem acaba por retornar à sua aldeia para encontrar o seu destino.

MÂTÂNÃG - A Encantada é uma animação realizada a partir de uma história tradicional dos povos Maxacali. E assim como na conhecida história de Orfeu e Eurídice, e o encontro entre o mundos dos vivos e dos mortos o filme acaba por nos seduzir a acompanhar a história dos amantes, sobretudo a persistência da jovem indígena pelo seu amor. Uma animação cativante.



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Na 17ª Cineop - Mostra de Cinema de Ouro Preto
De 22 a 27 de junho de 20202 
Programação gratuita - cineop.com.br

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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior