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Mulheres do Cinema Brasileiro - Entrevistas Depoimentos
Ano 14

Rodrigo Fonseca (Letícia Sabatella)

A primeira lembrança que eu tenho da Letícia Sabatella remonta a 1991, da primeira Terça Nobre de minha era de espectador, uma adaptação para a televisão de um texto do Péricles Leal chamado Os homens querem paz, dirigido pelo Luiz Fernando Carvalho. Foi quando eu tomei contato com a existência desse gênio da direção que é o Luiz Fernando. Ela era uma virgem que era enviada pelo povo de um lugarejo do nordeste para deter a chegada de um cangaceiro vingador chamado Emerenciano, interpretado pelo Paulo Betti, aliás, uma interpretação memorável. Eu fiquei absolutamente estarrecido com aquela coisa deliciosa, aquela morena deslumbrante com a cara meio cândida, mas, ao mesmo tempo, com um corpo absolutamente convidativo, e que fazia um jogo de sedução com o Paulo Betti pela inocência, uma doçura que era uma coia absolutamente nova naquele momento. Eu era muito jovem, mas fiquei encantado com aquilo. 

Depois ela faz O dono do mundo, contracenando com o Ângelo Antônio, e só tem a reforçar essa impressão que eu tive no primeiro momento. E é uma impressão que, eu acho, só se consolidou na carreira televisiva dela, e que me deixa um pouco impressionado pelo fato dela ter sido tão pouco e até mal usada pelo cinema brasileiro. Porque eu acho que ela fez poucos filmes pelo talento que ela tem. Em todos os filmes que ela fez, ela tem uma interpretação absolutamente competente, vide especial a adaptação que o Joffre Rodrigues, meu saudoso amigo, fez em Vestido de noiva, do pai, Nelson Rodrigues, e que ela rouba a cena. A Simone Spoladore, que é uma grande atriz, tem cenas incríveis no filme, mas a gente só consegue prestar atenção na Letícia, quiçá na Marília Pera. 

A Letícia é uma atriz que consegue, eu acho, conjugar elementos muito singulares dentro da interpretação, principalmente a feminina no cinema brasileiro. Ela joga o tempo todo com uma aura de mistério, que eu acho que só consigo ver no cinema numa Silvana Mangano, no cinema italiano.  Ela tem uma habilidade de se tornar enigmática, ela consegue transformar um personagem que você sabe de onde vem e pra onde ele vai, e ela entalha nesse personagem camadas que você não está acostumado a ver, camadas pelo silencio, ela joga muito bem com o silêncio. Eu acho que ela fez isso muito forte também em um filme que acho pouco valorizado, que é o Não por acaso, do Philippe Barcinski, na maneira como que ela trabalha com o Rodrigo Santoro, com quem ela já havia feito Hoje é dia de Maria.  Eu acho que no Romance (Guel Arraes), mesmo sendo um filme assim tão talhado, ela joga com essas armas de sedução que ela tem. O que me frustra é não ver sendo oferecido à Letícia um papel à altura dessas capacidades, desse vocabulário tão rico que ela tem.  

Como cineasta, eu achei muito interessante um documentário (Hotxuá, dela e de Gringo Cardia) que ela fez sobre os índios. Eu acho que da safra documental sobre o tema, ela fez o único filme que escapa da natureza de ONG, que enche o saco, em relação ao tema ela fez um filme mais humano, mais caloroso. 

Enfim, é uma atriz muito rica, de fato tem talento. Só lamento essa mulher não fazer mais coisas, acho que é isso. 


Rodrigo Fonseca é jornalista e crítico de cinema.

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Sala 
 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.